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Santarém terá campanha de combate ao racismo contra indígenas

Santarém terá campanha de combate ao racismo contra indígenas

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
27/10/2016 às 08h58 Atualizada em 27/10/2016 às 08h58


A cartilha educativa terá tiragem de 15 mil exemplares e será distribuída já na edição de 2017 da Semana de Combate ao Racismo e Discriminação contra Indígenas. Durante essa e em todas as edições do evento, MPF, União, Estado e município farão campanhas de conscientização nos meios de comunicação.

A primeira edição do curso de formação para profissionais da educação e demais servidores, como os da saúde, de órgãos ambientas e da Fundação Nacional do Índio (Funai), será realizada até abril do ano que vem. O curso será voltado para profissionais da educação básica e, se necessário, a outros técnicos cuja participação seja aprovada pelas instituições promotoras.

Entre outros compromissos, Estado e município ficaram de sugerir aos conselhos estadual e municipal de educação normas que proíbam uso de material didático que estimule, mesmo que indiretamente, o preconceito contra indígenas.

Histórico – Há aproximadamente duas décadas, diversos povos indígenas da região de Santarém passaram a se engajar em um amplo movimento de autodeterminação de suas identidades indígenas e reivindicações de direitos constitucionalmente assegurados, tais como demarcação de territórios, educação diferenciada e saúde, registrou a ação do MPF.

Esse processo, no entanto, é encarado com desconfiança pela sociedade regional e por movimentos sociais em atividade no município, que negam a identidade indígena desses povos. “São constantes as afirmações de que se trata de índios falsos, que tentam se passar por índios para obter supostos benefícios, obter terra alheia, etc”, informou, na ação, trecho de relatório pericial do analista em antropologia do MPF em Santarém, Raphael Frederico Acioli Moreira da Silva.

Como exemplos da crescente intolerância contra indígenas no município, o MPF citou na ação casos de denúncias de atos discriminatórios em escolas, de atos praticados por servidores públicos e até o incêndio de uma moradia indígena em 2014. Mais recentemente, em outubro de 2016, durante uma passeata de indígenas ocorrida no Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas pela orla da cidade houve hostilização dos participantes. “Existe perigo de dano irreparável ou de difícil reparação, em razão dos recentes episódios de intolerância étnica que ocorreram na região”, alertou a ação.

Processo nº 0000426-87.2014.4.01.3902 – 1ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA)

Íntegra do acordo

Acompanhamento processual


Fonte:MPF
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