Física ambiental: estudo revela impactos ambientais da BR-163 em escala regional
Física ambiental: estudo revela impactos ambientais da BR-163 em escala regional
Por: Redação / Web Amazônia
11/09/2017 às 16h38Atualizada em 14/09/2017 às 08h58
Resultados
De acordo com os resultados encontrados pelo professor, mesmo sendo pequenas as áreas de ação antrópica percebidas após a construção da BR-163, elas influenciam de forma significativa a refletividade de radiação solar de onda curta, ou seja, aquela luz visível para a atmosfera, e que é a fonte primária de energia. "Com relação ao calor, também houve uma perda de energia da superfície para a atmosfera, aquecendo as camadas sobrejacentes à superfície; em termos de fluxo de calor sensível, houve um aumento significativo também, ou seja, as ações antrópicas a nível regional contribuíram com um maior aumento de calor, o que dá aquela sensação de a temperatura estar mais elevada, mas a própria temperatura também aumentou", constatou.
Unidades de conservação
Como também foram analisadas as influências das unidades de conservação na manutenção das condições socioambientais das populações locais, a pesquisa evidenciou a importância da floresta para o equilíbrio do ecossistema, compensando o impacto dos efeitos de degradação. "As florestas mantêm um padrão adequado para o equilíbrio da distribuição da umidade para o continente. Ou seja, verificou-se que as áreas de florestas possuem todas as componentes do balanço de energia para se manter o equilíbrio da manutenção do clima, mesmo com as ações antrópicas ainda existentes nelas", pondera.
Outro fator observado é que as florestas lançam uma bomba de massa de água para a atmosfera. "Do ponto de vista termodinâmico da atmosfera, devido às suas propriedades, é dessa forma que elas conseguem manter esse equilíbrio", conta.
Com a constatação dos impactos da degradação ambiental em torno da rodovia, o próximo desafio de pesquisa é construir cenários para a região. "Agora é preciso responder a tais questões: até que ponto, sob a ótica da evapotranspiração e das componentes do balanço de energia, a fragmentação de recursos florestais pode ocorrer sem haver um impacto ambiental irreversível? Ou seja, qual o limite de desmatamento que os recursos florestais conseguem suportar?", disse.
Na avaliação do Prof. Rodrigo Silva, orientador da pesquisa e membro do Grupo de Pesquisa Biogeofísica da Região Amazônica e Modelagem Ambiental (BRAMA), a temática do impacto das mudanças do uso da terra na região amazônica é destaque atual na comunidade científica mundial. "Neste trabalho foi investigado como a presença da BR-163 promove alterações nos mecanismos que controlam o aquecimento do ar e a evapotranspiração na região Oeste do Pará. Já para o programa de doutorado PPGSND, toda e qualquer tese que concluímos é fato para celebração e o devido reconhecimento, principalmente pela comunidade acadêmica da Ufopa", conclui.
Sobre o BRAMA
O grupo de pesquisa realiza estudos que caracterizam os processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem na interação entre a biosfera e a atmosfera, descrevendo os fatores que controlam as trocas de energia e massa (H2O, CO2, CH4, N2O) nos diferentes ecossistemas amazônicos. São estudos de bases teóricas e experimentais sobre a estrutura e funcionamento dos ecossistemas terrestres e aquáticos da Amazônia, avaliando sua distribuição espacial e suas relações com os fatores ambientais e climáticos da região, em condições naturais e alteradas pela ação humana. São enfatizadas as interações entre as florestas, solos, rios e lagos da região com a atmosfera terrestre na região do Oeste do Pará.
Fonte: Comunicação/Ufopa
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.