A Justiça Federal manteve a prisão temporária do empresário Dirceu Santos Frederico Sobrinho, 57 anos, presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), e dono da empresa FD Gold, uma distribuidora de valores com sede na Avenida Paulista. Dirceu foi preso durante uma blitz da Polícia Militar na capital paulista, domingo (18). O empresário é investigado pela Polícia Federal por extração ilegal de ouro na Amazônia, na chamada Operação Aerogold.
Dirceu foi preso após o carro dele passar por um radar eletrônico inteligente que identificou o condutor com um mandado de prisão em aberto expedido desde a semana passada pela Justiça do Estado de Rondônia. O empresário passou por uma audiência virtual de custódia com a comarca de Porto Velho e o resultado foi pela manutenção da prisão temporária de Dirceu, que está custodiado na sede da Superintendência da PF em São Paulo.
Conforme a decisão, o empresário deve permanecer preso pelos próximos cinco dias.
Na tarde desta segunda-feira (19), a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão contra uma distribuidora de títulos e valores imobiliários. O processo sigiloso apura a extração ilegal de ouro supostamente comandada por Dirceu Sobrinho, conhecido pelo apelido de ‘rei do ouro’, na Amazônia.
Em maio deste ano, a Polícia Federal apreendeu, na Rodovia Castelo Branco, em Itu, um carregamento de 77 kg de ouro, avaliado em R$ 23 milhões, que era transportado para uma das empresas de Sobrinho, a FD Gold, distribuidora de valores com sede na Avenida Paulista, na capital. Na época, o empresário gravou um vídeo afirmando que o metal tinha sido extraído legalmente de lavra garimpeira concedida, não pertencendo a terras indígenas, nem a garimpos ilegais.
O episódio chamou a atenção porque as barras de ouro eram escoltadas por quatro policiais militares, entre eles um tenente-coronel da Casa Militar, órgão do gabinete do governador, responsável pela segurança do Palácio dos Bandeirantes.
As barras de ouro foram transportadas em um avião turboélice do empresário que estava bloqueado pela Justiça e não poderia voar, por isso era monitorado pela PF. A aeronave pousou no aeroporto de Sorocaba, onde o metal foi transferido para um carro e era levado para a capital.
A empresa FD Gold é alvo de ação judicial para suspender suas operações por suspeita de garimpo ilegal. A ação tramita na Justiça Federal de Itaituba, no Pará. O Ministério Público Federal daquele estado acusa a empresa de Frederico e outras duas empresas do setor de terem negociado no mercado nacional e internacional mais de 4,3 toneladas de ouro ilegal nos anos de 2019 e 2020.
Segundo comunicado da Polícia Federal, a Operação Aerogold, teve o intuito de desarticular organização criminosa que extraía ouro de forma ilegal nos rios dos estados de Rondônia e Amazonas, comercializava esse minério de forma irregular e realizava movimentação financeira incompatível com renda e patrimônio declarados.
Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão, sendo duas prisões preventivas e 16 prisões temporárias em Rondônia, Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e São Paulo. Os mandados foram expedidos pela 03ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia. Também foi ordenado que houvesse o bloqueio de R$ 5,5 bilhões das contas dos investigados.
As investigações tiveram início em novembro de 2020, em razão de denúncia anônima na Polícia Federal em Rondônia que relatava que um avião proveniente da Cidade de Japurá/AM chegaria em Porto Velho transportando ouro ilegal. Naquela oportunidade, foram apreendidos três quilos de referido minério e lavrado o devido flagrante.
Ao se aprofundar as investigações, constatou-se que os investigados integravam verdadeira organização criminosa, cujo objetivo era a extração ilegal de ouro na Cidade de Japurá/AM, além de intensa movimentação financeira entre garimpeiros dos estados de Rondônia, Amazonas e Pará com os compradores da matéria prima, sediados no estado de São Paulo.
Também foram flagradas várias empresas de fachada, cujo o único objetivo era esquentar o dinheiro ilícito proveniente do garimpo ilegal retirado de regiões protegidas da Floresta Amazônica.
As condutas investigadas configuram, em tese, os crimes de integrar organização criminosa, executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a autorização permissão, concessão ou licença obtida; usurpação de bens da União, sonegação fiscal e, também, lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 26 anos de prisão.
Fonte: Portal OEstadoNet