Quinta, 24 de Setembro de 2026
28°C 35°C
Santarém, PA
Publicidade
Anúncio

Ruas transformadas em depósito de sucatas no Aeroporto Velho

Ruas transformadas em depósito de sucatas no Aeroporto Velho

Marcos Santos
Por: Marcos Santos
06/08/2010 às 16h14 Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
Ruas transformadas em depósito de sucatas no Aeroporto Velho

No bairro do Aeroporto Velho, em Santarém, as ruas Barão de São Nicolau e Paraná foram transformadas num imenso depósito de sucatas de eletrodomésticos a céu aberto. Ali, o dono de uma residência improvisou, nas esquinas das vias e também embaixo de árvores, uma espécie de abrigo para armazenar carcaças de televisão, pneus velhos, geladeiras e máquinas de lavar velhas, além de um amontoado de quinquilharias que são reaproveitadas por ele para revender para donos de empresas que trabalham com reciclagem desses materiais. 
Grande parte do leito destas ruas está ocupada por um amontoado de entulho, impedindo o trânsito dos pedestres e também a passagem de veículos. O local causa indignação entre os demais moradores que reclamam, mas temem denunciar a atividade irregular do proprietário do local por medo de sofrerem algum tipo de represália.

Na tarde da última quarta-feira (4), um morador relatou ao Quarto Poder a situação indigna na qual os demais moradores são obrigados a conviver diariamente tendo como vizinho um monte de ferros retorcidos, garrafas plásticas, papel, peças de eletroeletrônicos, colchões velhos e vários recipientes de alumínio. Mas não é apenas a presença de materiais velhos que incomoda e preocupa a vizinhança. O problema é que ali, segundo eles, baratas, ratos, moscas e urubus aparecem constantemente atraídos pelos restos dos produtos recolhidos das ruas pelo dono das tralhas. “A gente sabe que este homem é trabalhador, mas incomoda a todos nós esse monte de porcaria espalhada pela rua, impedindo a nossa passagem e também atraindo ratos e baratas”, opinou um vizinho que pediu para não ter o nome citado.

O homem conta ainda que neste período de chuvas, os pneus velhos e garrafas pets, além do restante do material, acumulam muita água tornando-se propícios para o surgimento dos focos do mosquito transmissor da dengue.

Para piorar ainda mais a situação, um terreno na esquina da rua Barão de São Nicolau recentemente foi transformado também em um depósito de lixo. Os moradores passaram a depositar ali galhos de árvores e lixo doméstico. Segundo apurou a reportagem, há muito tempo que a coleta seletiva deixou de ser feita naquela área.


Enquanto grande parte dos moradores reclama, ainda que anonimamente, do amontoado de sucatas e restos de eletrodomésticos depositados nas ruas Barão de São Nicolau e Paraná, o senhor Francisco Vasconcelos, 54 anos, encontrou no lixo, uma maneira de sustentar a família. Junto com um irmão, o homem de corpo frágil e olhar sereno, decidiu montar o seu próprio 'negócio'. Carroceiro de profissão, como ele mesmo diz, há quatro anos passou a recolher das ruas e da frente dos quintais dos outros moradores tudo o que era desprezado pelas pessoas.

Ele começou recolhendo garrafas pets e alumínio, que eram imediatamente comercializadas com donos de empresas que trabalham com material reciclável. Não demorou muito para que ele ampliasse os ‘negócios’ e, acompanhado do irmão, passou a recolher todo tipo de material. Logo ele estava com o ‘estoque’ farto e com várias opções para a clientela. 

Hoje, Francisco Vasconcelos afirma que consegue sustentar a família com o que ganha da venda desses produtos. “Tudo é reaproveitado. O que as pessoas não querem mais, elas me dão e eu revendo para as empresas que trabalham com este tipo de atividade. É cansativo, mas também lucrativo, apesar da reclamação de alguns vizinhos”, diz serenamente.

Seu Francisco reconhece que o seu ‘depósito’ incomoda os vizinhos, mas, afirma também que, ao contrário do que denunciam os moradores, ele não deixa acumular água nos produtos e se desfaz daqueles materiais nocivos à saúde das pessoas, sobretudo objetos cortantes. “Eu tenho consciência de que estou exercendo uma atividade irregular no ponto de vista do local escolhido para abrigar esse material, mas o que eu posso fazer se é daqui que tiro meu ganha-pão”, justifica.

Segundo Francisco, o pessoal da Seminf esteve recentemente visitando o local e lhe fez apenas algumas recomendações, como evitar água parada e não deixar que suas quinquilharias atrapalhem a passagem dos pedestres. “Eu estou seguindo as recomendações”, garantiu.

Apesar das explicações e garantias dadas por seu Francisco Vasconcelos, nada justifica o uso indevido da via pública para um tipo de atividade que não está amparada legalmente. O Poder Executivo deve tomar providências no sentido de retirar esses materiais do meio da rua, garantindo o direito do cidadão de ir e vir e, ao mesmo tempo, oferecer condições também para este cidadão, que encontrou no lixo a única maneira de sobreviver neste mundo de excluídos.
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias