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População exige mais abrigos de ônibus

População exige mais abrigos de ônibus

Marcos Santos
Por: Marcos Santos
13/08/2010 às 15h56 Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
População exige mais abrigos de ônibus

Quem depende do transporte público em Santarém é obrigado a conviver diariamente com uma série de irregularidade típicas de um setor completamente falho e, por vezes, inoperante. Veículos mal-conservados ou praticamente sucateados circulam pelas ruas da cidade em condições inadequadas para o transporte de passageiros. Além disso, é bem provável que grande parte da frota esteja em condição ilegal. A falta de fiscalização também é outro agravante que contribui relevantemente para o aumento das ilegalidades praticadas pelos donos das empresas de ônibus do município, que não oferecem um serviço de qualidade, mantendo nas ruas, além de veículos velhos, sem manutenção, profissionais despreparados para o trato com o público. As queixas dos usuários recaem, sobretudo, contra os motoristas, que não cumprem os horários e desviam das rotas, causando transtornos absolutos à população.

Para piorar ainda mais esta situação, o santareno reclama da falta de abrigos nos pontos de ônibus nas principais vias da cidade. No centro, por exemplo, ao longo da avenida Rui Barbosa, não existe locais específicos para que os passageiros possam se abrigar do sol ou da chuva enquanto esperam os coletivos. Pior que andar em ônibus velhos é ter de sujeitar às condições impróprias nas paradas, que não dispõem de abrigos. No caso das ruas centrais, os ambulantes ocupam todo o espaço destinado ao pedestre, obrigando-o a ficar nos acostamentos das vias pública para apanhar os ônibus. Na travessa Professor Carvalho, na lateral do Mercadão 2000, os usuários disputam espaço com os ambulantes e veículos pesados, que estacionam para descarregar os produtos aos feirantes. A permanência de caminhões no local faz com que os motoristas dos coletivos ignorem a presença dos passageiros, deixando o usuário ainda mais indignado.

Mas não são apenas as ruas do centro da cidade que não possuem abrigos para passageiros. Na periferia, a situação é ainda mais crítica, já que os pontos de ônibus existentes não têm infraestrutura para abrigar as pessoas. Algumas paradas funcionam precariamente embaixo de árvores e até nas esquinas de estabelecimentos comerciais. Vale ressaltar que os abrigos existentes, na sua grande maioria, estão mal conservados, necessitando de manutenção ou reparos.


Enquanto os usuários do transporte coletivo em Santarém exigem mais abrigos para os pontos considerados tradicionais e que foram transformados em paradas de ônibus, a Prefeitura demonstra total descaso com o setor, ignorando as necessidades do cidadão que, por causa da ausência desses espaços, é obrigado e esperar debaixo do sol escaldante pelo ônibus que chega a demorar até uma hora para passar.

Segundo apurou a reportagem, o governo federal tem recursos disponíveis para o apoio a projetos de corredores estruturais de transporte coletivo urbano, o que certamente é do desconhecimento da maioria da população santarena. O que a população santarena também desconhece é que a Prefeitura de Santarém conseguiu disponibilizar recurso na ordem de mais de R$ 400 mil para a construção de abrigos em 100 paradas de ônibus. Os recursos foram liberados, alguns abrigos erguidos, porém, o total exato não chegou a ser concluído.

Segundo consta no relatório da Controladoria Geral da União (CGU) divulgado recentemente, o governo municipal pagou pelo serviço não executado. Outro agravante verificado pelos auditores da CGU é que o projeto arquitetônico aprovado para liberação do recurso está em desacordo com o que foi feito em Santarém.

Em 2006, a Prefeitura firmou contrato com a empresa Matos Engenharia e Comércio Ltda., no valor de R$ 401.385,12, para a construção de 97 abrigos de passageiros.

Conforme constatou o levantamento feito pelos auditores em diversos bairros da cidade, houve falhas graves na execução física das construções. Os auditores também detectaram que não existem abrigos em determinadas paradas conforme a planilha de localização referencial apresentada pela PMS. Outros abrigos foram erguidos em locais que não estavam previstos na planilha de localização. Alguns desses espaços, apesar do pouco tempo de construídos, estão danificados. O abrigo na travessa Professor Carvalho cujo projeto consta na planilha não foi construído, apesar de a verba ter sido liberada.

O mesmo problema é percebido na avenida Rui Barbosa em frente ao supermercado Baratotal. Na praça dos Três Poderes nada de abrigo. Avenida Coaraci Nunes, as travessas Turiano Meira e Silva Jardim também deveriam ter recebido abrigos de passageiros, porém, nada foi construído nos pontos determinados pela Prefeitura. Deveriam ter sido construídos abrigos em alguns pontos das avenidas Cuiabá, Magalhães Barata, Tomé de Souza, Olavo Bilac, Fernando Guilhon rua Bom Jardim.

Na justificativa apresentada pela Prefeitura contrapondo ao relatório da CGU, diz a defesa o seguinte: "Apontam, os ínclitos técnicos em seu relatório, irregularidades nos serviços de construção de abrigos.Vale frisar que as obras foram executadas dentro das especificações, com anuência da Caixa, que fiscalizou in loco cada abrigo. No que concerne a localização, alguns abrigos foram construídos em outros locais atendendo solicitação de sindicatos ou associações de moradores com melhor adequação às paradas de ônibus".

A justificativa apresentada, segundo a CGU, confirma que houve alteração no plano de trabalho sustentado que houve anuência da Caixa. Nos autos do processo os auditores da CGU não encontraram elementos que comprovassem tal anuência. Também não foi encontrado qualquer pedido feito por entidades, solicitando mudanças de locais.


Marcos Santos
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