Celpa investe R$ 3,5 bilhões na ampliação e melhoria da rede de distribuição
Celpa investe R$ 3,5 bilhões na ampliação e melhoria da rede de distribuição
Por: Marcos Santos
29/08/2010 às 10h35Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
A Celpa deu início a um novo grande ciclo de investimentos na expansão e melhorias na rede de distribuição de energia elétrica. Até 2013, a empresa investiráR$ 3,5 bilhões em toda sua área de concessão, visando atender à demanda proveniente do crescimento econômico do estado. O anúncio foi feito pela presidente da empresa, Carmem Campos Pereira, e pelo vice-presidente executivo, Flávio Decat, durante reunião com representantes do Governo e do setor empresarial, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia.
Segundo a presidente da Celpa, entre os anos de 1998 e 2010, o número de consumidores no Pará mais que dobrou, passando de 700 mil para 1,7 milhão. "O nosso maior desafio era levar energia a quem antes não tinha acesso e nós mantivemos um compromisso muito forte com a universalização. E foi isto o que fizemos: conectamos mais de um milhão de novos consumidores", afirma Carmem Pereira.
Nos últimos cinco anos, a Celpa investiu perto de R$ 2 bilhões na rede de distribuição do Pará. Em 2010, a concessionária deu início a um novo ciclo de investimentos, que somam cerca de R$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos. Os recursos estão sendo aplicados na expansão e ampliação de capacidade da rede de distribuição do estado. "Isso é quase o dobro de tudo o que já foi investido até o momento", enfatiza o vice-presidente da Celpa, Flávio Decat.
De acordo com Decat, o plano foi concebido a partir de três objetivos principais: melhoria no atendimento, alinhamento às políticas públicas de desenvolvimento do Pará e atendimento à crescente demanda por energia no estado. Para se ter uma idéia do dinamismo do mercado paraense, a previsão da Celpa era que o crescimento no consumo de energia elétrica tivesse um aumento de 9,5% em 2010.
Entretanto, até o mês de maio o incremento foi de 14%. "Em algumas regiões, como Marabá, no sudeste paraense, o crescimento de 25% supera as taxas chinesas", surpreende-se o vice-presidente. "Por mais que se faça um planejamento, não é tão simples dar conta desse crescimento. O Pará está em uma região de baixa densidade demográfica e é fronteira de desenvolvimento, atraindo mais consumidores de outras localidades do país. Não é que a Celpa não cuidou do sistema; o sistema cresceu muito, mas mesmo com todos os investimentos já realizados não vínhamos conseguindo acompanhar o crescimento", justifica a presidente da empresa.
O plano de investimentos da concessionária está dividido em cinco frentes principais: universalização, região da Calha Norte, interligação do Marajó, entorno da Usina de Belo Monte e melhorias no sistema de distribuição existente.Ao programa de universalização serão destinados R$ 254 milhões de recursos próprios da Celpa para atender a quase 37 mil famílias da área rural do estado. Desde 2004, cerca de 262 mil famílias paraenses já foram beneficiadas com o programa.
Um total de R$ 697,7 milhões serão investidos em obras na região conhecida como Calha Norte, no noroeste do Pará. A região possui cerca de 400 mil habitantes em 10 municípios, incluindo Santarém, Óbidos e dois dos maiores produtores de bauxita: Oriximiná e Juruti, cujo fornecimento atual de energia elétrica é realizado por meio de 10 usinas térmicas a diesel e sete subestações. O novo sistema elétrico projetado inclui a construção de 15 novas subestações e a expansão das linhas de transmissão. As obras irão beneficiar especialmente os projetos de mineração localizados na região.
No entorno da Hidrelétrica de Belo Monte serão investidos R$ 850 milhões, incluindo a construção de 11 novas subestações nos municípios de Placas, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Altamira, Vitória do Xingu, Gurupá, Senador José Porfírio, Porto de Moz, Anapu e Pacajá, além de novas linhas de transmissão.
O projeto de integração do Arquipélago do Marajó ao Sistema Interligado Nacional está dividido em duas etapas. Até o final do ano, a primeira fase estará concluída, com a integração dos municípios de Portel, Bagre, Melgaço, Breves e Curralinho. Na segunda etapa, serão desativadas as usinas de Anajás, Afuá, Chaves, Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Santa Cruz do Arari, Soure, Salvaterra, Muaná e São Sebastião da Boa Vista. A previsão é que esta última etapa seja concluída em 2012.
No total, serão investidos R$ 541,55 milhões para beneficiar os 450 mil habitantes da ilha, que atualmente são atendidos por 15 usinas térmicas, que consomem 16,6 milhões de litros de óleo diesel por ano. A Celpa estima que a desativação dessas usinas pode gerar uma redução entre 2,5 e 3 milhões de toneladas de gases de efeito estufa até 2014.
O R$ 1,2 bilhão restante será investido em melhorias do sistema de distribuição dos principais pólos de desenvolvimento do estado: R$ 653,7 milhões na região metropolitana de Belém, R$ 316,1 na região de Marabá e R$ 193,4 milhões em Santarém. As obras incluem a construção de novas subestações, usinas dieselétricas, eletrificação de loteamentos e a construção de novas linhas de transmissão.
De acordo com os executivos da Celpa, esses investimentos foram definidos a partir das demandas identificadas por meio do setor produtivo, governo e consumidores residenciais. "O Pará irá se transformar num verdadeiro canteiro de obras. Obras que serão realizadas de forma alinhada com as perspectivas de crescimento do estado", concluiu a presidente da Celpa.
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