Por: Marcos Santos
29/08/2010 às 10h50 Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
Marcos Santos
Um dos vereadores que encontra dificuldades para exercer sua função parlamentar na Câmara de Santarém é o vereador Jailson Costa (PSDB). No exercício de seu primeiro mandato, o tucano diz que, às vezes, desanima, diante de tanta dificuldade em conseguir cumprir sua função fiscalizadora. Jailson teve por inúmeras vezes, pedidos de informações seus negados pelo Poder Executivo. “Há muito tempo que cobro do governo municipal detalhes de ações administrativas para que o Legislativo possa acompanhar e também informar à sociedade sobre os recursos públicos que estão sendo aplicados pela Prefeitura, mas há muita burocracia e má vontade dos gestores”, disse Jailson do Mojuí, que não esconde de ninguém que é ferrenho opositor do governo da prefeita Maria do Carmo.
Ele explica, no entanto, que sua atitude em relação à administração petista não se deve a motivos partidários, pois foi eleito pelo povo para defender os interesses do cidadão e isso, disse, vai cumprir até o último dia de seu mandato. Costa afirmou que o papel parlamentar está sendo desviado pelos vereadores santarenos, que não acompanham as denúncias de irregularidades que pairam sobre o atual governo. “Estamos fazendo nossa parte, mas por sermos minoria na Câmara, nosso papel se resume em apenas criticar, questionar e só”, disse.
Ele lembra que o parlamentar foi eleito para fiscalizar as ações do Poder Executivo e também legislar em favor do cidadão santareno, mas, diante da atitude do Executivo, que não fornece as informações precisas solicitadas pelos vereadores esse papel fica difícil de ser executado. Jailson recorda no primeiro semestre encaminhou vários ofícios à Prefeitura solicitando dados sobre os aluguéis de prédios que abrigam alguns órgãos municipais. “O povo precisa saber quanto é gasto na locação desses imóveis, de quem são e os contratos feitos pelo governo”. Até hoje não obteve respostas. Também solicitou detalhes sobre a relação de funcionários temporários e o valor dos salários, porém, seu pedido foi negado. “Fiz outro pedido sobre a destinação dos royalties da hidrelétrica de Curuá-Una, algo em torno de R$ 960 mil por ano, que não está sendo revestido em benefícios para as comunidades localizadas no entorno da hidrelétrica. Para onde está indo esse dinheiro? São questionamentos que o vereador se faz porque a comunidade cobra e infelizmente não temos essas informações para repassar”, lamentou.
Por causa da dificuldade em obter respostas aos questionamentos feitos ao Poder Executivo, o vereador Jailson Costa diz que vai tentar, por outras vias, obter informações sobre os gastos públicos que o governo teima em não repassar à Câmara de Vereadores. Segundo Jailson Costa, a função do vereador atualmente está voltada mais às causas assistencialistas. “Está difícil legislar. O sistema está muito complexo. Chegamos na Câmara apresentamos e aprovamos requerimentos, ofícios, distribuímos para as comunidades, informando que foi aprovado pelo Legislativo, mas quando chega ao Executivo fica inviável executar os serviços solicitados, porque o governo não dá a atenção devida. A Prefeitura precisa respeitar mais os vereadores, sobretudo os que fazem parte da oposição, pois também somos representantes do povo nas comunidades mais distantes do município”, disse.
Jailson também cobra mais empenho dos vereadores, principalmente em debater temas importantes e não somente aquelas que são de interesse do Executivo. Ele cita o caso do relatório da CGU, que pouco foi debatido em plenário. Ele informou que os vereadores da oposição, no caso das denúncias feitas pela Controladoria Geral da União, que divulgou relatório detalhando possíveis irregularidades praticadas pelo atual governo, vão ingressar com representação no Ministério Público Estadual e também no Ministério Público Federal, contra a Prefeitura, pedindo que sejam dadas as devidas explicações por parte dos gestores citados no relatório da CGU. “Foi a maneira que encontramos para ter acesso às informações que tanto o governo nos esconde. Estamos aqui para ajudar o governo e melhorar a vida dos nossos munícipes”, completou o parlamentar tucano. “Tem hora que bate desanimo. Na hora de aprovar recursos, o governo sabe procurar a gente. Somos funcionários do povo, que votou e nos escolheu como representante. O governo municipal tem que ser cobrado pelo povo e precisa entender que nosso papel é este. Precisamos saber para onde está indo tanto dinheiro, já que temos espalhadas por toda cidade, inúmeras obras que se encontram paradas e sem justificativas convincentes por parte do governo”, finalizou.
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