Por: Marcos Santos
16/09/2010 às 18h23 Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
Graça Cipriano Ferreira de Sousa, 43 anos, foi condenada na tarde desta quinta-feira pelo crime de Homicídio Qualificado (art. 121, parágrafo 2º, inciso IV), por matar no dia 10/12/1991, no bairro do Urumari, Maria de Nazaré Alves Barros, à época com 17 anos. O motivo do assassinato, com duas facadas, foi o fato de Nazaré estar tendo um caso com o namorado de Graça Cipriano (à época com 24 anos), José Walmir Conceição de Sousa, atual esposo de Graça.
O juiz Gérson marra Gomes aplicou a pena de 14 anos de reclusão, em regime fechado, mas como a ré respondia ao processo em liberdade, não decretou sua prisão. Ela tem agora, cinco dias para recorrer da sentença e só será imediatamente presa se não apresentar recurso.
Desclassificação - O advogado da ré, Antenor Rodrigues Lavor Filho, apresentou três teses em favor de sua cliente: Legítima Defesa, Desclassificação de Homicídio Qualificado para Homicídio Simples e Desclassificação de Homicídio Qualificado para Lesão Corporal Seguida de Morte, mas os jurados não as reconheceram e acabaram acatando, em parte, a tese do promotor Rodrigo Aquino Silva, que pedia a condenação por Homicídio Duplamente Qualificado (motivo fútil e assassinato de forma traiçoeira) ao desclassificarem o motivo fútil (ciúmes).
Este foi o primeiro caso em que uma mulher sentou no banco dos réus pela 10ª Vara, em seu primeiro ano de funcionamento. Em abril deste ano, outra mulher foi julgada e condenada, porém, por ser foragida, foi julgada à revelia. O marido de Graça, pivô do crime, juntamente com dois filhos do casal, menores de idade, assistiram a todo o julgamento. Durante a leitura da sentença, o juiz Gérson Marra Gomes disse que "não se deve matar por amor e quando existe traição o melhor é que as pessoas se separem, mas nunca atentem contra a vida de outros". Familiares da vítima e da ré, choraram na platéia.
Nesta sexta-feira, 17/09/2010, será realizada mais uma sessão do Tribunal do Júri, para julgar o caso de Jair Lima Cavalcanti, acusado de matar a esposa Doriane Araújo dos Santos com um tiro de revólver, em 1995. O réu alega que o tiro foi acidental. Ele será defendido também pelo advogado Lavor Filho, mas na promotoria estará o Dr. Paulo Roberto Corrêa Monteiro, sob a presidência do juiz Gérson Marra Gomes.
João Georgios Ninos
Analista Judiciário e Jornalista
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