Coleção Didática do Museu Goeldi completa 25 anos com programação especial
Coleção Didática do Museu Goeldi completa 25 anos com programação especial
Por: Marcos Santos
21/09/2010 às 14h33Atualizada em 24/09/2010 às 21h55
Três mil peças. Dez mil pessoas beneficiadas. 25 anos de existência. A Coleção Didática Emilia Snethlage do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é uma iniciativa consolidada e que apresentou muitos resultados positivos ao longo do seu desenvolvimento, auxiliando o trabalho dos professores nas salas de aula e aproximando a ciência das pessoas. A Coleção é formada por peças que representam as áreas de pesquisa do Museu Goeldi, tais como Zoologia, Botânica, Antropologia e Geociências, todas vinculadas ao ambiente amazônico.
“Nós queremos despertar nos alunos a curiosidade e o interesse pelas ciências, através da observação e manuseio de peças do acervo em atividades educativas, visando tornar mais agradável o ensino de ciências”, explica a sua idealizadora, Filomena Secco. Dentre as peças, se destacam animais vertebrados e invertebrados, peles de mamíferos, penas e ninhos de aves, exsicatas, amostra de madeiras e sementes, artefatos indígenas como arcos, flechas e colares, peças de cerâmica, rochas, minerais e fósseis, dentre muitos outros.
E para comemorar o aniversário da Coleção, esta semana acontece o ciclo de palestras “O papel das coleções na formação de recursos humanos em ensino e pesquisa”. As apresentações acontecem de terça a sexta-feira, no Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, no Parque Zoobotânica. Usos e público - E é por conta dessa diversidade de peças que a Coleção possui muitos usos e muitos públicos. Grande parte do seu acervo é utilizado em aulas, cursos, palestras e oficinas dentro e fora do Museu Goeldi, além de algumas peças serem levadas para exposições e peças teatrais. Além desses usos, as peças são requisitadas pela Policia Militar do Pará – Batalhão de Policia Ambiental, Guarda Municipal de Ananindeua – Unidade de Policiamento Ambiental e o Exército brasileiro que, segundo a idealizadora, procura a Coleção para fazer demonstrações com animais peçonhentos.
“A procura é muito grande”, diz Filomena, bióloga por formação e também coordenadora e curadora da Coleção. “Principalmente pelas peças de zoologia, que são as que as crianças e os jovens mais gostam. Já o público da terceira idade prefere as plantas, porque se identifica mais”, ressalta a idealizadora, lembrando que a Coleção também participa das atividades do Clube do Pesquisador Mirim, do Serviço de Educação do Goeldi, e do Projeto “Potencialização e Valorização do Saber do Idoso: uma proposta socioeducativa para a terceira idade”, que é realizado em parceria com a Prefeitura de Belém.
Além disso, Filomena ressalta que são várias as solicitações de escolas e instituições de outros municípios paraenses, como São Miguel do Guamá, Igarapé - Açu, Barcarena, Bragança, Igarapé-Miri, e as cidades mais próximas como Castanhal, Marituba e Ananideua. “Eu sabia que a Coleção tinha potencial e esperava que ela fosse crescer e ganhar força, mas não nessas proporções”, conta a idealizadora do acervo que, no inicio das suas atividades, enfrentou muitas dificuldades.
Idéia e criação - Com pouco espaço e qualidade de armazenamento do material, a então estagiária do Departamento de Zoologia do Museu Goeldi –.Filomena Secco – montou a Coleção Didática, em 1985, com o apoio do taxidermista Manoel Santa-Brígida. A idéia surgiu a partir da experiência didática de Filomena, com professores e alunos das escolas de Belém que faziam visitas orientadas ao Parque Zoobotânico da instituição.
“Eu notava que os alunos tinham interesse em conhecer os animais, as plantas e os demais itens da coleção científica do Museu, mas essa coleção não é disponível ao público em geral por ser de uso de pesquisadores e estudantes de nível superior. Então, isso motivou ainda mais a idéia de se criar uma coleção voltada aos professores e alunos do ensino fundamental e médio”, relata a idealizadora.
Assim, ela começou o trabalho, contando com cerca de 300 amostras de material botânico, coletadas no próprio Parque e adquiridas no mercado do Ver-o-Peso, e animais, conseguidos a partir da taxidermização de espécimes do Parque Zoobotânico do Goeldi e de doação do Departamento de Zoologia. “Eu tinha só um armário, no qual colocava vários vidrinhos com animais em meio líquido, em meio seco, como também as plantas, e a medida que os alunos iam chegando, eu ia dando mais explicações sobre a fauna e a flora da região”, lembra Filomena.
Potencial alcançado - Com o tempo e a melhor estruturação da Divisão de Educação e Extensão Cultural do Goeldi, a Coleção Didática foi melhor acondicionada e incentivada a crescer. Em 1988, foi aprovado pela fundação Ford o Projeto "Educação em Ciências", sendo um dos sub-projetos a Coleção Didática, hoje a Coleção Didática Emília Snethlage.
Com isso, o acervo da Coleção cresceu significativamente e foi melhor acondicionado para conservar as peças. Mesmo assim, a vida útil das peças nem sempre é total, devido à grande utilização do acervo, o que às vezes necessita de reposição, além dos pequenos danos que são inevitáveis, segundo a idealizadora, que ainda destaca: “a demanda é bem maior que a oferta”.
Hoje, a Coleção possui cerca de dez mil pessoas beneficiadasdentre todos os seus públicos, cada um com sua especificidade, que podem manusear e emprestar as peças do acervo para melhor conhecer os componentes da região amazônica. “E nós temos que ver essas diferenças e atender a todos”, acrescenta Filomena. E é visando esse público diverso e suas várias demandas que a Coleção completa 25 anos e se prepara para o futuro.
Texto: Vanessa Brasil (Agência Museu Goeld)
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.