

A Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher (CEPPM) realizou, nesta terça-feira, 23, uma reunião extraordinária da Câmara Técnica no auditório do Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI). O encontro ocorreu no auditório do hospital e reuniu representantes da rede de proteção, gestores e profissionais de saúde para discutir os problemas enfrentados pelo hospital e buscar encaminhamentos urgentes diante da situação.
Durante a reunião, a direção do hospital apresentou um panorama das ocorrências e as ações já adotadas. Entre elas, o afastamento de clínicos envolvidos em falhas de triagem, a atualização do Protocolo Assistencial e a instituição da primeira Comissão de Ética Médica do HMI. Também foram destacadas medidas para fortalecer a humanização do atendimento, como a entrada de acompanhantes durante todo o internamento, inclusive em casos de perda gestacional, em cumprimento à Lei do Luto Parental.
Outros pontos debatidos foram a obrigatoriedade da ausculta fetal intermitente, a ampliação do quadro de funcionários, a restituição de ambulâncias e a reestruturação do serviço de ultrassonografia, a ideia é que com o tempo o serviço passe á a ter cobertura 24 horas. Além disso, foi reafirmado o compromisso com a política de tolerância zero à violência obstétrica e à mortalidade materna e perinatal.
Durante o encontro, o Diretor Técnico do HMI, médico Fábio Farias, apresentou as medidas já adotadas pela unidade para enfrentar os problemas. Ele destacou que a instituição assumiu uma política de tolerância zero em relação a falhas na assistência e reforçou a adoção de protocolos clínicos padronizados.


“O Materno Infantil já vem tomando medidas para diminuir os casos de mortes maternas e neonatais. Entre elas, está a padronização de protocolos assistenciais para que todos os profissionais falem a mesma língua no atendimento. Também reforçamos a humanização, garantindo o direito ao acompanhante em todo o período de internação, inclusive em casos de perda gestacional”.
Fábio Farias reconhece que o hospital enfrenta desafios históricos, mas ressaltou que a união com a CEPPM fortalece a busca por soluções imediatas. “Não podemos tapar o sol com a peneira. Esses problemas existem e precisam ser enfrentados com transparência e responsabilidade. Essa parceria com a Coordenadoria da Mulher nos ajuda a traçar estratégias urgentes para melhorar o atendimento”, conclui.
A coordenadora da CEPPM, Sueli Lara, enfatizou que a reunião foi um momento de escuta e de construção coletiva.


“Convocamos essa reunião para que a rede de proteção pudesse ouvir a direção do hospital e também trazer suas próprias pautas. O objetivo é avançar em políticas públicas que previnam mortes neonatais e garantam atendimento digno às mulheres”, afirmou.
Ela agradeceu a abertura do diálogo e reforçou a importância de ações que integrem o cuidado médico com apoio psicológico e social. “A perda de um bebê é um impacto devastador para a mãe e para a família. Precisamos de medidas que tragam acolhimento, tratamento humanizado e respeito às mulheres”, acrescentou.
A reunião da Câmara Técnica resultou no compromisso de ampliar a cooperação entre hospital, coordenadoria e demais órgãos da rede de proteção, com vistas a reduzir a mortalidade materna e neonatal em Marabá. As propostas discutidas seguem agora para análise e encaminhamentos administrativos, com acompanhamento das entidades envolvidas.
Para Sueli Lara, esse espaço de diálogo foi fundamental para fortalecer compromissos. “Queremos erradicar as mortes de bebês e garantir que o HMI seja um espaço de vida, esperança e saúde. Acreditamos que, a partir desse encontro, muitas mudanças poderão ser implementadas”, finaliza.








Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Paulo Sérgio
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