Por: Redação / Web Amazônia
17/06/2011 às 10h25 Atualizada em 17/06/2011 às 10h25
Um crime de encomenda realizado há quase dois anos (10/07/2009) que causou comoção na colônia Água Branca, no Palhal do Una, teve seu primeiro capítulo solucionado na sessão do júri desta quinta-feira (16), mas que só terminou na madrugada do dia 17/06/11, com a condenação do lavrador Abias Rodrigues Sousa, 21 anos, réu confesso da morte da anciã Teodora Petrenko Ferreira, 64 anos, proprietária da Fazenda Laranjal, onde o mesmo trabalhava.
Os jurados, em sua maioria, acataram a tese dos promotores de justiça Rodrigo Aquino e Adleer Calderaro, que pediram a condenação pelo crime de Homicídio Triplamente Qualificado (Art. 121, § 2º, I, II e IV, do CPB), por promessa de pagamento para cometer o crime, por motivo fútil e por não dar chances de defesa à vítima, cuja pena máxima é de 30 anos. O defensor público Daniel Archer apresentou a tese de Delação Premiada, mas não conseguiu convencer a maioria dos jurados.
O juiz Gérson Marra Gomes aplicou a pena de 18 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado. O réu está preso e não lhe foi concedido o direito de recorrer em liberdade. A defesa apresentou Apelação para o TJE.
Segundo consta nos autos do processo, Abias matou sua ex-patroa a mando do vendedor Leonir Antonio Bandeira, o "Gaúcho", que também responde pelo crime. Os dois estão presos desde a época do crime e receberam a Sentença de Pronúncia para serem julgados pelo Júri Popular, mas Leonir recorreu da sentença e poderá ser julgado em outra oportunidade.
Simulação de estupro - Segundo o promotor Rodrigo Aquino, responsável pela acusação, Leonir havia vendido um trator ao marido de Teodora, o sr. Carlos Ferreira, e não recebeu todo o montante combinado. Foi convidado para trabalhar na fazenda como forma de pagamento e passou a trabalhar na operação do trator com Abias. desse contato entre os dois teria surgido o plano para dar fim no casal e se apropriar de suas terras. Leonir teria prometido 8 mil reais a Abias para que matasse o casal de agricultores, dando-lhe apenas 80 reais e prometendo o resto para depois de consumado o serviço.
Consta ainda nos autos (inclusive com fotos ilustrativas do local do crime) que Abias seguiu o planejamento de Leonir, entrando na fazenda uma noite em que o marido se encontrava em Santarém. Com um terçado, entrou no quarto e golpeou várias vezes a anciã que dormia, até matá-la. Depois tirou sua roupa e deixou-a com as pernas abertas na cama como forma de simular um estupro. O próximo passo era esperar o marido e matá-lo também, mas Abias acabou desistindo do ato, deixando algumas pistas que acabaram por incriminá-lo. Ao ser preso, ele confessou o crime e delatou o parceiro, que negou qualquer participação do caso.
O Tribunal do Júri volta a se reunir somente no dia 28 de junho, pois na próxima semana o Salão será ocupado pela sessão do Pleno do TJE. Hoje às 09h00, o diretor do Fórum, juiz Paulo Evangelista, concede entrevista coletiva à imprensa para falar do evento.
João Georgios Ninos Analista Judiciário e Jornalista