Por: Redação / Web Amazônia
11/07/2011 às 11h27 Atualizada em 11/07/2011 às 11h28
Duas uniões estáveis homoafetivas foram oficializadas pela Defensoria Pública do Pará, na manhã do último dia 7, no Centro de Referência de Prevenção e Combate à Homofobia. Os Defensores Roberta Braga, Silvio Grotto e Rossana Parente celebraram a união de mais dois casais homossexuais, que agora passam a ser reconhecidos como entidade familiar perante a sociedade.
G.M, 53 anos, disse que este é um modo de reconhecer a sua relação de 30 anos, dando direitos legais à sua companheira de tudo que construíram juntos, ou seja, seus patrimônios. “Muitas famílias rejeitam o parente que é homossexual, mas depois que ele falece, querem os bens, resultando na negação de direitos ao companheiro da pessoa”, esclarece.
A assistida lembra que ela e a companheira também criaram o filho que hoje está com 22 anos, desde quando ele tinha um ano de idade. “Hoje o nosso filho está formado em História, já está fazendo o mestrado e não é homossexual. Vivemos diante da sociedade assim. Nunca sentimos preconceito das pessoas com quem nos relacionamos. Porém alguns amigos dele que ainda não sabiam disso, quando descobrem, sentem um impacto”, declarou.
A.L.S., filho do casal, disse que durante a infância não percebia muito a questão de ter sido criado por um casal homossexual. “Na minha adolescência fui conhecer melhor a sexualidade e passei a entender o relacionamento delas, compreendendo tudo isto como algo muito natural. O que importa é a criação, o sentimento e tudo o que elas fizeram por mim. Nós somos uma família”, enfatizou.
Para o jovem, oficializar uma união homoafetiva significa um ganho para os casais e para os filhos do relacionamento, pois estes poderão herdar bens, sem maiores problemas. “Todavia, as pessoas ainda possuem uma mentalidade preconceituosa em relação a este tipo de união. Ainda há muito chão para as coisas andarem. A ideologia conservadora ainda é muito forte, principalmente dentro da Igreja”, ressaltou A.L.S.
A Defensora Roberta Braga disse que oficializar a união homoafetiva é importante não só para a Defensoria Pública, mas para toda sociedade, pois serve como auto-afirmação do movimento de combate à homofobia, que está tendo muitos resultados positivos, além da busca de igualdade de direitos para o estado do Pará e todo o Brasil. “Celebrar hoje aqui esta união estável de duas pessoas que construíram uma vida em conjunto é mais do que um orgulho de estar fazendo parte da história na construção da igualdade e de pessoas do mesmo sexo em nosso país”, frisou Roberta Braga.
O Defensor Silvio Grotto disse que por meio desta celebração a Defensoria Pública vem mais uma vez provar que não existem cidadãos de segunda classe no Estado do Pará. “Há uma igualdade de direitos entre todos os assistidos paraenses”, enfatizou. Segundo a Diretora Metropolitana em exercício da Defensoria Pública, Rossana Parente, o papel dos defensores também é buscar resguardar o direito dos casais homoafetivos. “A nossa sociedade ainda vai lutar para impedir este tipo de união. Este é um momento muito importante e um grande desafio para os casais aqui presentes que irão formar uma entidade familiar”, destacou a Defensora, lembrando que para se manter uma família é preciso três critérios, o respeito, a assistência mútua e o princípio da lealdade.
Márcia Souza, de 42 anos, que vive há 15 anos com Lene Campos, também oficializou a união com a companheira e afirmou que embora o preconceito ainda exista, a comunidade LGBT está lutando e caminhando para que a discriminação um dia possa acabar. “Através do reconhecimento deste tipo de união, os casais homoafetivos podem ter uma garantia e uma melhor segurança, pois adquirem direitos perante a Lei”, argumentou.
“Somos muito felizes e mesmo com as nossas diferenças, nos respeitamos acima de tudo. Espero que por meio deste contrato possamos ser felizes por mais tempo ainda, porque tenho a certeza de que a minha companheira é a mulher da minha vida. Daqui para frente vamos correr atrás de outras conquistas. Estamos com planos de um dia adotar uma criança”, finalizou a assistida.
Kelly Beltrão - Defensoria Pública do Estado
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