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Casas de madeiras são erguidas no conjunto do PAC

Casas de madeiras são erguidas no conjunto do PAC

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
01/08/2011 às 19h38 Atualizada em 01/08/2011 às 19h38
Casas de madeiras são erguidas no conjunto do PAC
E lá se vão quase três anos desde que a Prefeitura de Santarém deu início à construção do conjunto habitacional do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Porto dos Milagres, no bairro Uruará, na grande área da Prainha. A obra, que vislumbrava garantir melhorias de vida às famílias carentes que vivem em áreas alagadas, foi abandonada pelo Poder Público antes mesmo de ser concluída na sua totalidade. 

Nem metade do que previa o projeto original foi feito. As casas foram erguidas em padrões arquitetônicos duvidosos e não oferecem segurança aos seus futuros proprietários, pois sua estrutura é completamente precária. 

No local é possível constatar o abandono do empreendimento que já consumiu volumosas somas de dinheiro do erário público. No conjunto do PAC não tem energia e nem água encanada. O asfalto e a rede de esgoto também são outros itens ausentes neste projeto mal feito pela construtora Mello de Azevedo.
Desde o dia 11 de setembro do ano passado, que os imóveis foram ocupados irregularmente por várias famílias, que se autodenominam donas de fato e de direito daquelas moradias e, portanto, fixaram residência por tempo indeterminado.

E é justamente a presença dessas pessoas nos imóveis que tem chamado a atenção de parte da imprensa santarena. Devido à inoperância da Prefeitura, que não dá sinal de quando pretende retomar a obra, os ocupantes decidiram ampliar seus domínios e construir novos cômodos nas residências, descaracterizando os imóveis que ainda nem foram concluídos. Quem visita o local percebe que o modelo original de algumas casas foi alterado. “Nós tivemos que nos adaptar, pois nossa família é grande e a casa do jeito que estava não abrigaria todo mundo”, justifica o ajudante de pedreiro Rosinaldo da Silva, que na frente do imóvel que ele afirma ser seu, construiu uma pequena mercearia, que também funciona como bar nos finais de semana. O vizinho dele foi mais além e colocou cerca de madeira em todo o terreno que ele ocupa.

Mais adiante, outras residências também estão sendo descaracterizadas. “O que nós percebemos é que dificilmente, a Prefeitura vá retomar os serviços aqui. Como já notaram que nós também não vamos sair, decidiram não mexer com a gente. E nós estamos tentando sobreviver, nos acomodando da melhor maneira possível. O que não dá é para morar na rua”, disse Rosinaldo.

Governo não tem como evitar descaracterização das casas

Procurado pelo QP para falar a respeito da ocupação das moradores nas casas do conjunto do PAC Uruará e a descaracterização dos imóveis pelos próprios ocupantes, o secretário de Planejamento do município, Everaldo Martins, afirmou que o governo municipal, por ora, não tem como evitar que as pessoas façam obras secundárias nas residências, que ainda nem foram entregues pela Prefeitura aos seus verdadeiros donos. 

Segundo ele, a obra de construção do conjunto habitacional não tem data prevista para ser retomada. O secretário informou ainda que será construído um microssistema de água provisório naquela área para que a Caixa Econômica Federal considere a parte de habitação parcialmente concluída. Sobre a ocupação das moradias, Everaldo explicou que a maioria das pessoas residindo ali é proprietária e, portanto, vai permanecer intocável. Porém, aqueles cujos nomes não constem na relação da Prefeitura serão retirados.

O secretário disse que o projeto original prevê, após a entrega das casas aos seus legítimos donos, a expansão dos imóveis, porém, mediante projeto técnico apresentado à Caixa, que fará o financiamento para reforma e ampliação. “O que não é o caso, pois a obra ainda não foi concluída. As casas foram elaboradas para expansão futura. Ocorre que essas pessoas nem têm o direito legal para realizar qualquer tipo de alteração no imóvel”, ressaltou Everaldo Martins, que diante desta afirmação disse que a condição atual impede que a Prefeitura interceda para evitar maiores danos à estrutura das moradias do conjunto inacabado pelo governo municipal.

Ele justifica a inoperância da PMS para a lentidão da obra apontando uma série de atropelos, sobretudo problemas de ordem financeira, que impediram o ritmo normal dos trabalhos. “Vamos fazer um empréstimo, que já foi autorizado pela Câmara, e num processo adiantado com a Caixa junto ao BNDES vamos obter a garantia da contrapartida do PAC para que a obra se mantenha em ritmo normal”, disse.

A Prefeitura já recebeu através do Programa de Aceleração do Crescimento 50% dos recursos previstos para o município. “Iniciamos com R$ 75 milhões e depois tivemos um aditivo de R$ 80, R$ 82 milhões”, disse Martins.
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