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A arte que vem da terra

A arte que vem da terra

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
03/02/2012 às 11h20 Atualizada em 03/02/2012 às 11h20
A arte que vem da terra

 Essas etapas estão à mostra em um painel feito por 150 peças em cerâmica, nos quais cerca da metade foi feita com adição da bauxita, e a outra metade, com alumina. A diferença? As cores. Enquanto a cerâmica feita apenas com argila assume uma tonalidade alaranjada, a bauxita fornece uma cor de vermelho fechado, meio terracota. Já a alumina faz a peça ficar naturalmente branca, dispensando a necessidade de tinta.


“É preciso ter cuidado na hora de adicionar esses minérios, pois cada um reage de maneira própria à queima. Se colocar bauxita demais, por exemplo, a peça fica quebradiça. Eu me baseei nas pesquisas do Departamento de Química da Universidade Federal do Pará, mas também experimentei bastante até chegar à fórmula atual”, explica Berna, que também utiliza minerais como caulim e minério de ferro em suas obras.

Abrir o casarão centenário que abriga a Alcoa em Belém para uma exposição sobre cultura paraense já está se tornando tradição na mineradora. No ano passado, a Companhia realizou uma mostra sobre patrimônio histórico do Pará. Para o diretor de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade da Alcoa, Nilson Souza, os eventos são uma forma de valorizar a cultura regional, além de permitirem à empresa a inserção no contexto local. “Buscamos nos tornar cidadãos locais, e a cidadania passa pela valorização dos movimentos artísticos e pela identificação com as manifestações culturais”, diz. “Além disso, quando iniciamos o processo de mineração de bauxita em Juruti, parte do procedimento é fazer um resgate arqueológico da área. E lá, encontramos muitas peças de cerâmica que o Museu Goeldi catalogou. É parte da história local e não podemos perder esse rastro de quem passou por aqui”, relata.

A mostra pode ser visitada até o final do ano, após agendamento pelo e-mail: [email protected], na sede da Alcoa, que fica na Travessa Dr. Moraes, 70.

Artesanato – A exposição também dá espaço à cerâmica produzida no Distrito de Icoaraci. Um dos principais nomes do artesanato paraense, mestre Raimundo Cardoso também teve sua história lembrada. A tradição do trabalho com a argila foi passada para o filho, Levy, e resiste à transição de gerações.

“Desde que me lembro, ele já trabalhava com a cerâmica arqueológica, fazendo as réplicas de peças arqueológicas que viajam pelo mundo. Cresci com essa técnica, e não tinha como ir para outra profissão”, lembra.

Estabelecido há mais de 30 anos na Vila Sorriso, o baiano José Anisio Silva também aprendeu a desvendar os segredos guardados na argila. “É gentileza de quem diz”, afirma, modesto, para completar: “desde que comecei na profissão, fiz o possível para aprender mais. Participei de vários cursos e sempre procurei me manter atualizado”.

A mostra já recebeu elogios de artistas e pesquisadores como Janice Lima, a diretora do Liceu Escola de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso, localizado em Icoaraci: “Vou organizar visitas dos alunos do Liceu, começando pelos professores. A exposição é uma forma de valorizar a cultura local e aumentar a autoestima de quem trabalha com cerâmica”, diz.

História – A cerâmica é um dos materiais mais antigos já produzidos pelo homem. Em diferentes formas, aplicações, utilizações, todos os povos a produziram. “Como traço comum a todas as culturas, há sempre a relação entre o homem e o seu ambiente natural”, explica José Fernandes Fonseca Neto, curador da exposição. “Mas a cerâmica amazônica tem características que variam de acordo com a época. Originalmente, era usada de forma ritualística. Hoje, a produção de Icoaraci é usada como forma de atrair o turismo e na decoração”, completa.

Serviço
O que: Exposição Cerâmica – Matéria e Expressão Cultural
Quando: A partir de 01 de fevereiro de 2012
Onde: Na sede da Alcoa em Belém, na Travessa Dr. Moraes, 70.
As visitas devem ser agendadas pelo e-mail [email protected], ou pelo telefone (91) 3205-6400.

*Temple Comunicação
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