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Equipe monitora espécie ameaçada de extinção no Pará

Equipe monitora espécie ameaçada de extinção no Pará

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
06/06/2012 às 10h59 Atualizada em 06/06/2012 às 10h59
Equipe monitora espécie ameaçada de extinção no Pará

Num primeiro momento, no município de Vitória do Xingu, onde foi encontrado o primeiro exemplar, foram descobertas outras 20 árvores. Mas foi em Juruti, próximo à área onde a Alcoa mantém suas operações, que se encontrou a maior população de pau-cravo já registrada em toda a Amazônia desde o século XVIII.

Neste local, foi implantado um projeto de estudo com parcelas permanentes, abrangendo uma área de 10 hectares, para monitorar o comportamento da espécie. “Por causa da raridade do pau-cravo, não há muita literatura disponível sobre seu ciclo de reprodução. É necessário ter essas informações para poder realizar o resgate da espécie, evitando assim seu desaparecimento”, explica o engenheiro florestal.

“Também foi protocolado o pedido do Museu Emílio Goeldi à SEMA-PA para a criação de uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável, que permita, num segundo momento, estabelecer um projeto de manejo sustentável por parte dos comunitários”, diz Volnei Tenfen, superintendente da área de Meio Ambiente da Alcoa Juruti, setor que financia e apoia a pesquisa, que deve durar, inicialmente, dois anos. “Este pedido ainda está em curso, sendo analisado pela Secretaria”, completa.

Droga do Sertão

O pau-cravo é uma árvore da floresta amazônica conhecida também pelos nomes populares de cravo-do-maranhão, cravo-do-pará, cravo-do-mato e canela-cravo. Durante o período colonial do Brasil, era considerada uma concorrente à altura do cravo-da-índia e da canela-do-ceilão, com a vantagem de permitir a extração, na mesma planta, dos dois pro­dutos: a canela de sua casca e o cravo de suas flores.

Árvore elegante e de porte médio com até 20 metros de altura, cuja madeira aromática (cheiro de rosas), amarelada, compacta, resistente, própria para construção civil e naval. A parte mais importante desta bela árvore consiste na casca a qual vai aos mercados em pedaços de 30 a 60 cm de comprimento e 3 cm de largura, enrolados uns sobre os outros, formando um cilindro. Casca fina, de cor violeta escuro, aroma idêntico ao da canela da Índia e sabor picante idêntico ao do cravo da Índia.

Graças a essas características, quando, no início do século XVII, os portugueses descobriram o pau-cravo, logo perceberam o potencial que a espécie poderia atingir na Europa. Na época, especiarias como a canela, o cravo, açafrão, anis e a noz-moscada, de origem indiana, eram muito apreciadas no Velho Mundo. Eram usadas para conservar e temperar os alimentos, sendo também empregadas na produção de remédios. Contudo, com a Índia sob o domínio dos ingleses, os preços de tais especiarias eram altíssimos. Tal era o prestígio e a importância conferida a esses produtos que eles chegavam até a fazer parte dos dotes das noivas, das heranças, e também funcionavam como moeda de troca.

Da descoberta à intensa exploração, foi um pulo. Expedições foram organizadas para buscar e extrair a espécie, que, junto com pimenta-do-reino, cacau, urucum, guaraná, e outras, foram chamadas de “drogas do sertão”, em referência ao nome pelo qual a Amazônia era conhecida na época. Além de utilizada como tempero e remédio popular, da espécie se obtinha um corante usado para tingir roupas de algodão. A comercialização tem ligação direta com a quase extinção da espécie, classificada como vulnerável, e apontada como sendo de alto risco de desaparecimento num futuro próximo. (Temple Comunicação)
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