

Para algumas famílias, a entrega das chaves da casa própria representa o fim de uma longa espera. Para outras, significa a possibilidade de recomeçar a vida em um espaço próprio, depois de anos vivendo de aluguel ou enfrentando dificuldades. NoResidencial Viver Pratinha, no bairro Pratinha II, em Belém, a emoção tomou conta dos moradores que receberam os novos apartamentosnesta sexta-feira (2). Entre abraços, lágrimas e sorrisos,80 famílias passaram a ter um endereço para chamar de seu.
Uma delas é a cabeleireira Marlice Pinheiro, de 45 anos. Inscrita no programa desde 2016, ela esperou anos até ser pré-selecionada e, quando finalmente se aproximava da realização do sonho, precisou enfrentar um câncer no colo do útero.


A espera também marcou a trajetória de Juliana Ferreira da Costa, de 43 anos, que aguardava pelas chaves desde 2008. Ela vai dividir o apartamento do bloco 43, unidade 102, com o irmão, Edilson Ferreira da Costa, de 44 anos, que tem deficiência intelectual.
Para Juliana, a entrega representa mais do que a mudança para um novo endereço. É a concretização de uma expectativa que atravessou diferentes fases de sua vida. A emoção de finalmente abrir a porta do próprio apartamento resume anos de espera pela realização do sonho da casa própria.

A técnica de enfermagem Ana Caroline Oliveira, de 27 anos,também recebeu as chaves. Ela vai viver no novo lar com os filhos, Laura, de 3 anos, e Luiz, de 1. Para a jovem mãe, o apartamento representa segurança e a oportunidade de oferecer às crianças um espaço próprio para crescer.
A entrega das novas unidades representa mais uma etapa da recuperação doResidencial Viver Pratinha, empreendimento contratado entre 2013 e 2014 pelo programa Minha Casa, Minha Vida. O conjunto prevê768 apartamentos, mas permaneceu durante anos com as obras paralisadas, passando por ocupações irregulares, depredações, atrasos e a necessidade de adequações para que pudesse voltar a ser construído.
Em junho de 2024, foi realizada de forma pacífica a reintegração de posse do empreendimento. Na sequência, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), articulou com o governo federal e a Caixa Econômica Federal a retomada dos trabalhos.


As obras foram reiniciadas em 2025, commais de R$ 42 milhões destinados à recuperação da infraestrutura e à conclusão do residencial. Atualmente, o empreendimento está com88,65% dos serviços executados.
Em março deste ano, outras256 famílias receberam seus apartamentos. Com as 80 unidades entregues agora, o Viver Pratinha chega a336 imóveis repassados, restando 432 apartamentos para a conclusão das 768 unidades previstas.

O prefeito de Belém, Igor Normando, destacou que a retomada do residencial representa a união de esforços para garantir moradia e melhores condições de vida às famílias que aguardaram durante anos.
Segundo o prefeito, a obra segue em ritmo acelerado ea previsão é avançar para a conclusão do restante do residencial no primeiro semestre de 2027.

A entrega também contou com a participação do ministro das Cidades, Wladimir Moura Lima, que ressaltou a importância da retomada de empreendimentos habitacionais que ficaram paralisados e voltaram a receber investimentos públicos.

O secretário municipal de Habitação, Lucas Lazera, disse que o residencial tem uma trajetória marcada por dificuldades, mas também pela decisão de manter o compromisso com as famílias que já haviam sido selecionadas.
Cada apartamento possui44,04 metros quadrados, comdois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. As 80 unidades desta etapa estão distribuídas em cinco blocos e devem beneficiar aproximadamente400 pessoas.


Concluídas as obras do empreendimento, as 768 unidades poderão atender3.840 pessoas, considerando uma média de cinco moradores por apartamento.


A retomada do Viver Pratinha integra o esforço da Prefeitura de Belém para ampliar o acesso à moradia e recuperar empreendimentos habitacionais que permaneceram paralisados. Para as famílias que receberam as chaves nesta sexta-feira, porém, os números dão lugar a algo muito mais concreto: a porta de uma casa própria finalmente aberta depois de anos de espera.