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Governo do Estado dobra hospitais com atenção ao câncer no interior do Pará
Saúde pública expande rede de atendimento oncológico a cinco regiões paraenses e reduziu necessidade de viagens para a capital em busca de tratamen...
06/10/2026 10h38
Por: Redação / Blog QP Fonte: Secom Pará

O acesso ao tratamento contra o câncer está mais próximo de pacientes que vivem no interior do Pará: a rede estadual de saúde dobrou, nos últimos sete anos, a oferta de serviços oncológicos fora de Belém, reduzindo a necessidade de deslocamentos para a capital. Em 2018, o atendimento era realizado em três hospitais, localizados em dois municípios. Em 2026, são seis hospitais estaduais que dedicam cuidados contra o câncer, instalados em cinco municípios paraenses.

Atualmente, a assistência oncológica é ofertada pelo Hospital Ophir Loyola (HOL) e pelo Hospital Oncológico Infantil Otávio Lobo, em Belém; pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém; pelo Hospital Regional de Tucuruí; pelo Hospital Regional Público do Sudeste do Pará (HRSP), em Marabá; e pelo Hospital Regional de Castanhal.

Tratamento mais perto de casa

Para quem enfrenta um tratamento contra o câncer, a distância entre a residência e o hospital pode representar um desafio adicional. Em Santarém, no oeste do Estado, o paciente Rafael Portela Parente, de 30 anos, iniciou o tratamento no Hospital Regional do Baixo Amazonas há cinco meses.

Rafael ressalta a possibilidade de conseguiu realizar cirurgia e sessões de quimioterapia na própria Santarém. “Como moro aqui, levo dez minutos da minha casa para cá. Está sendo muito rápido, e só tenho a agradecer a equipe de médicos e profissionais pelo apoio que estão me dando”.

O HRBA é habilitado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). O hospital oferece atendimento desde o diagnóstico até o tratamento, com exames, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e braquiterapia, conforme a necessidade de cada caso. Os pacientes também contam com acompanhamento multiprofissional, incluindo enfermagem, psicologia, nutrição e serviço social.

Em Tucuruí, a chegada da atenção em oncologia também mudou a rotina de pacientes que antes precisavam viajar para Belém para conseguir ter acesso a cuidados contra o câncer. É o caso de Analina Costa de Oliveira, de 73 anos, moradora de Rondon do Pará. “Antes da Unacon de Tucuruí começar a funcionar, eu precisava viajar até a capital, a mais de quinhentos quilômetros da minha cidade. Era uma viagem muito longa e cansativa, e isso tornava o tratamento ainda mais difícil”, conta.

A unidade de Tucuruí dispõe de estrutura para diferentes etapas do atendimento, incluindo quimioterapia, radioterapia, cirurgias oncológicas e cuidados paliativos. O hospital possui ainda acelerador linear para radioterapia, 11 poltronas e dois leitos no salão de quimioterapia, além de leitos de internação e para procedimentos cirúrgicos.

Atendimento especializado em diferentes regiões

Em Marabá, o Hospital Regional Público do Sudeste do Pará oferece assistência em mastologia, ginecologia, oncologia clínica e cirurgia oncológica. A unidade faz aproximadamente 500 consultas ambulatoriais mensais e tem capacidade para fazer também cerca de 500 sessões de quimioterapia por mês. Também realiza aproximadamente 100 procedimentos cirúrgicos mensais, e dispõe de 20 leitos de enfermaria destinados a pacientes oncológicos.

Na capital, o Hospital Ophir Loyola permanece como referência estadual para o tratamento de pacientes com câncer. A unidade é um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), e reúne serviços como diagnóstico, oncologia clínica, cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia, braquiterapia, hematologia, transplante de medula óssea, cuidados paliativos e assistência multiprofissional.

Já o Hospital Oncológico Infantil Otávio Lobo é referência na Amazônia para diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil, com atenção voltada a pacientes de zero a 19 anos. O hospital atende jovens e crianças dos 144 municípios paraenses e também do vizinho Estado do Amapá, oferecendo tratamento individualizado e acompanhamento após a conclusão da terapia.

Para Luciane Gomes, de 28 anos, mãe de Paloma Valentina, de três anos, o atendimento recebido no Hospital Oncológico Infantil foi importante desde a descoberta da doença. Segundo ela, a filha teve diagnóstico rápido, passou por cirurgia e iniciou o acompanhamento para o tratamento.

“A gente teve um bom acompanhamento. Em nenhum momento eu fiquei desamparada, sabe? Eles são profissionais muito bons, e o hospital também é muito bom”, relata.

A ampliação da rede de atenção em oncologia no Pará considera as características geográficas do Estado e também a necessidade de aproximar serviços de alta complexidade dos pacientes. Segundo o secretário-adjunto de Políticas de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Ivison Carvalho, essa expansão começou a ser planejada diante das grandes distâncias percorridas pelos pacientes para ter acesso ao tratamento especializado.

“Desde 2019 se viu a necessidade da ampliação dos serviços de oncologia dentro do Estado. O Pará é muito grande. Os pacientes têm que se deslocar longas distâncias para conseguirem o atendimento, que é altamente especializado. Então, nós duplicamos essa capacidade instalada, com a incorporação dos hospitais que atendem oncologia em Marabá, em Tucuruí e em Castanhal”, pondera Carvalho.

Além de ampliar o número de estabelecimentos de saúde com cuidados especializados contra o câncer, a estratégia inclui a oferta de diferentes modalidades de tratamento. “Ampliando a oferta e qualificando esses serviços, porque não é só colocar cirurgia ou a quimioterapia, a gente tem implantado serviços de radioterapia nesses espaços também, para poder ofertar um serviço de maior complexidade dentro dessas regiões de saúde", avalia o secretário-adjunto.

"E ainda vamos expandir mais. Em Altamira, já está em construção a estrutura da oncologia do Hospital Regional da Transamazônica, e logo mais nós vamos ter mais um ponto de apoio para a oncologia no Estado”, detalha o secretário.

Essa ampliação da rede estadual busca, portanto, aproximar o cuidado especializado dos municípios de origem dos pacientes, mantendo a possibilidade de encaminhamento para unidades de referência quando o caso exigir serviços que não estejam disponíveis na região.

A expansão também prevê novos pontos de atendimento, como a futura estrutura de oncologia do Hospital Regional da Transamazônica, em Altamira.