

Em oito anos, o Ensino Médio da rede estadual do Pará passou de 2,8 para 4,4 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O avanço de 1,6 ponto entre 2017 e 2025 foi o maior registrado entre as redes estaduais brasileiras no período. A evolução também alcançou os Anos Iniciais e os Anos Finais do Ensino Fundamental e está associada a um conjunto de ações que envolve formação docente, acompanhamento da aprendizagem, materiais pedagógicos e melhorias na infraestrutura escolar.
Em 2025, as três etapas da rede estadual alcançaram os maiores resultados de suas respectivas séries históricas. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, o Ideb chegou a 6,2, ante 5,7 em 2023. Nos Anos Finais, passou de 4,8 para 5,0. No Ensino Médio, subiu de 4,3 para 4,4.
A evolução dos indicadores é acompanhada por estratégias desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para apoiar o trabalho dos profissionais nas escolas, identificar dificuldades de aprendizagem e orientar intervenções pedagógicas. Em Belém, experiências das escolas estaduais Professora Dilma de Souza Catete e Domingos Acatauassu Nunes ajudam a exemplificar como essas ações se traduzem na rotina escolar.
Na Dilma de Souza Catete, o Ideb do Ensino Médio chegou a 6,0 em 2025, o maior resultado entre as escolas estaduais paraenses nessa etapa, conforme os dados considerados para a reportagem. Já a Domingos Acatauassu Nunes elevou de 5,0 para 6,3 o indicador dos Anos Iniciais, referente ao 5º ano, entre 2023 e 2025. Embora os resultados correspondam a etapas e períodos distintos, as duas experiências mostram o uso de avaliações para orientar o planejamento e fortalecer habilidades dos estudantes.
Avaliação e recomposição das aprendizagens
Calculado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Ideb combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, medido pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com informações sobre aprovação escolar do Censo Escolar. O indicador permite acompanhar tanto a aprendizagem quanto o fluxo dos estudantes ao longo da educação básica.
Os resultados do Saeb também apontam crescimento da proficiência, medida que indica o desempenho dos estudantes nas avaliações. Entre 2017 e 2025, a pontuação em Matemática aumentou 29,54 pontos nos Anos Iniciais, 21,81 nos Anos Finais e 28,06 no Ensino Médio. Em Língua Portuguesa, os avanços foram de 24,76, 21,47 e 31,94 pontos, respectivamente.
Na comparação entre 2023 e 2025, a proficiência em Matemática cresceu 12,99 pontos nos Anos Iniciais, 7,84 nos Anos Finais e 6,44 no Ensino Médio. Em Língua Portuguesa, os ganhos foram de 12,01, 5,25 e 3,34 pontos, na mesma ordem.
Na Escola Estadual Domingos Acatauassu Nunes, em Belém, o resultado dos Anos Iniciais foi acompanhado por um trabalho de planejamento pedagógico baseado nos diagnósticos de aprendizagem. Simulados e análises dos descritores ajudaram a identificar as habilidades que precisavam ser reforçadas, orientando a reorganização dos horários, os encontros formativos e a preparação de atividades específicas.
“Esse resultado é fruto de um trabalho coletivo, com planejamento, acompanhamento e intervenções direcionadas às dificuldades dos estudantes. A partir dos simulados, conseguimos identificar as habilidades que precisavam ser fortalecidas e reorganizar as estratégias para que cada aluno tivesse melhores condições de avançar na aprendizagem”, afirma o diretor Verimar Alves Costa.
A escola também promoveu aulões semanais, com professores se revezando entre as turmas para resolver questões, explicar enunciados e esclarecer dúvidas. As atividades foram organizadas individualmente, em duplas ou em grupos de quatro estudantes, conforme as dificuldades identificadas. O trabalho incluiu ainda paródias, gincanas e ações temáticas, como a Tocha Olímpica, além de atividades de reforço e recomposição dos conteúdos.
Na Escola Estadual Professora Dilma de Souza Catete, em Belém, a diretora Rosenildes Almeida atribui o resultado ao trabalho coletivo e à proposta de ensino em tempo integral, que alia a aprendizagem acadêmica ao desenvolvimento pessoal dos estudantes e à construção de seus projetos de vida.
“Na escola em tempo integral, o jovem e seu projeto de vida estão no centro de tudo. A escola deixa de ser apenas um espaço de ensinar e se torna também um espaço de acolher, onde o estudante aprende a planejar o futuro, traçar metas e descobrir seu próprio protagonismo”, afirma a diretora.
O acompanhamento das aprendizagens também orienta o trabalho pedagógico. A professora de Matemática Paula Freitas explica que os cadernos de recomposição, associados às aulas de estudo orientado, permitem identificar as dificuldades dos alunos e planejar intervenções para fortalecer as habilidades que precisam ser desenvolvidas.
“Utilizamos os cadernos de recomposição aliados às aulas de estudo orientado para identificar as dificuldades e fazer as intervenções necessárias para fortalecer as habilidades de cada estudante”, explica.
A escola também utiliza Chromebooks e a plataforma Plural na realização de exercícios e simulados. Por meio dos relatórios de desempenho, os professores acompanham os resultados das turmas e de cada estudante, identificam habilidades que precisam ser reforçadas e ajustam o planejamento pedagógico conforme as necessidades de aprendizagem.
Formação docente e materiais pedagógicos
As estratégias desenvolvidas nas escolas integram as ações da Seduc para apoiar o planejamento pedagógico em toda a rede estadual. Mais de 59 mil docentes participaram de formações continuadas, voltadas ao aprimoramento das práticas de ensino e ao fortalecimento do trabalho pedagógico.
A preparação para o Saeb mobilizou equipes técnicas e pedagógicas. O Movimento Saeb 2025 levou profissionais da Diretoria de Gestão Educacional (DIGE) às escolas para visitas técnicas, orientações, encontros formativos e acompanhamento das estratégias de preparação. A ação alcançou 294 escolas em 124 municípios.
A Caravana Saeb alcançou 3.039 profissionais com atividades de orientação e formação. A Seduc também realizou o primeiro simulado estadual do Saeb, permitindo que os estudantes se familiarizassem com o formato da avaliação e que as escolas identificassem habilidades a serem reforçadas.
A mobilização incluiu reforço escolar, aulões, reuniões pedagógicas e o Dia D da avaliação. A proposta foi integrar a preparação ao planejamento desenvolvido durante o ano letivo, em vez de concentrar as atividades apenas no período próximo às provas.
Outra frente é a recomposição das aprendizagens, voltada à retomada de conhecimentos que ainda não foram consolidados. O trabalho prioriza competências fundamentais, como leitura, escrita, interpretação de textos, resolução de problemas e raciocínio matemático, conforme as necessidades de cada etapa escolar.
Desde 2023, a Seduc desenvolveu mais de 30 materiais pedagógicos para a rede estadual, entre livros, apostilas e cadernos. Entre eles estão Prepara Pará, Alfabetiza Pará, Acelere o Saber, Prepara, Prepara Mais e Caderno de Atividades Complementares.
Produzidos por professores formadores da própria rede, os materiais consideram o Documento Curricular do Estado do Pará, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as matrizes e habilidades trabalhadas no Sistema Paraense de Avaliação Educacional (SisPAE), no Saeb e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em 2026, os Cadernos de Recomposição das Aprendizagens receberam investimento superior a R$29 milhões. A distribuição contemplou mais de 120 mil estudantes e incluiu mais de 55 mil cadernos destinados a professores.
Os materiais dão suporte ao trabalho pedagógico, mas sua aplicação depende da análise dos resultados e da atuação dos profissionais para definir quais conteúdos precisam ser retomados e como as atividades devem ser ajustadas às necessidades dos estudantes.
Valorização profissional e infraestrutura escolar
A formação continuada e o planejamento pedagógico fazem parte das condições necessárias para melhorar a aprendizagem. A política estadual também inclui medidas de valorização dos profissionais da educação. O Pará está entre os estados brasileiros com as maiores remunerações iniciais para o magistério.
Outro mecanismo é o programa Escola que Transforma, que concedeu bonificações a mais de 30 mil servidores da educação, entre ativos e inativos. O pagamento foi organizado em seis parcelas, conforme as metas e os critérios de desempenho estabelecidos pelo programa.
A infraestrutura também integra esse conjunto de condições. Nos últimos anos, o Governo do Estado destinou mais de R$1,3 bilhão à construção, reforma e modernização das escolas estaduais. Foram 203 escolas entregues, atualmente, a rede estadual possui 978 escolas e atende mais de 455 mil estudantes.
As intervenções incluem climatização, acessibilidade, melhorias nos espaços pedagógicos, equipamentos e conectividade. Na Escola Estadual Professora Dilma de Souza Catete, por exemplo, a modernização dos espaços e os recursos tecnológicos integram as condições de apoio às atividades de ensino e ao acompanhamento da aprendizagem.
O crescimento do Ideb não pode ser atribuído a um único fator. Os resultados refletem um conjunto de condições e estratégias que inclui avaliação, formação dos profissionais, recomposição de conteúdos, planejamento pedagógico e infraestrutura. O avanço dos indicadores permite acompanhar a trajetória da rede estadual, enquanto o trabalho realizado nas escolas ajuda a compreender como as políticas educacionais são aplicadas no cotidiano.
Texto: Amanda Castro / Ascom Seduc