

O El Niño e as altas temperaturas reforçam a necessidade deatenção à prevenção da dengue em Belém. O fenômeno climático podealterar os padrões de temperatura e chuva, enquanto ocalor, associado à presença de água parada, favorece a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da zika e da chikungunya. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), foram notificados2.765 casos de dengue entre janeiro e setembro de 2026, dos quais1.261 foram confirmados.
Caracterizado peloaquecimento anormal das águas superficiais do Oceano PacíficoEquatorial, o El Niño podeinfluenciar as condições climáticasem diferentes regiões. Diante desse cenário, a eliminação de possíveis criadouros do mosquito e os cuidados paraevitar o acúmulo de águatornam-se ainda mais importantes. A relação entre o fenômeno e os registros da doença em Belém, porém, não deve ser considerada direta sem dados específicos que a comprovem.
As altas temperaturas podemacelerar o desenvolvimento do mosquito. Quando há recipientes com água parada, o ambiente pode se tornar favorável à sua proliferação, inclusive em períodos de pouca chuva. Por isso, ainspeção frequente de quintais, vasos de plantas, calhas e reservatóriosé uma das principais medidas preventivas.
Moradora do conjunto residencial Cordeiro de Farias, no bairro da Pratinha, a enfermeira e bombeira civil Alenilza Pinheiro, de 28 anos, afirma que mantém uma rotina de cuidados em casa.

Alenilza também considera importante ampliar as ações deconscientização e as informações sobre a doença. Para ela, a prevenção deveenvolver os moradores e os espaços ao redor das residências, evitando que locais sem manutenção se transformem em criadouros.
Em Águas Negras, no distrito de Icoaraci, a cozinheira Eliene Melo dos Santos, de 45 anos, conta que observa os espaços de casa e procura eliminar a água acumulada. Ela também troca a água dos recipientes utilizados pelos animais de estimação e fica atenta aos terrenos próximos.

Eliene diz que procura verificar áreas vizinhas quando percebe situações que podem favorecer a reprodução do mosquito. A preocupação é evitar que a dengue afete a família dela e outras pessoas da comunidade.
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém, por meio do Programa Municipal de Controle da Dengue (PMCD),intensifica as ações de prevenção e controledo Aedes aegypti, com prioridade para áreas que apresentammaiores índices de infestaçãodo vetor.
Em 2025, foram notificados2.771 casosde dengue em Belém, dos quais950 foram confirmados. Em 2026, até setembro, o município registrou2.765notificações e1.261 confirmações. Os dados reforçam aimportância da continuidade das ações de vigilância epidemiológicae controle vetorial.
Segundo Shirley Santos, chefe da Divisão de Controle de Endemias (DCE) da Sesma, o planejamento das ações considera os resultados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e o monitoramento por ovitrampas, que ajudam aidentificar áreas prioritárias e direcionar as estratégiasde controle.

Entre as medidas realizadas pelo programa estãovisitas domiciliaresdos Agentes de Combate às Endemias (ACEs),identificação e eliminação de criadouros,abordagens educativas,bloqueios de transmissão viralconforme avaliação epidemiológica e protocolos vigentes, além da utilização dasEstações Disseminadoras de Larvicida(EDLs), de acordo com o planejamento operacional.
A Sesma usa Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) para combater o Aedes aegypti. Os equipamentosaproveitam o próprio mosquito para transportar o larvicida a outros locais de reprodução, ajudando a impedir o desenvolvimento das larvas.

A instalação é feita por Agentes de Combate às Endemias (ACEs) em áreas prioritárias da capital. A estratégia complementa os cuidados da população, como eliminar recipientes com água parada e manter quintais limpos.
A eliminação de criadouros deve fazer parte da rotina, independentemente da quantidade de chuva. Entre as principais recomendações estão:
Além da prevenção contra a dengue, a Sesma recomenda que, nos dias de calor intenso, a populaçãobeba água regularmente,permaneça emlocais frescossempre que possível, useroupas levese eviteexposição prolongada ao sol, especialmente nos horários mais quentes. Essas medidas ajudam aprevenir a desidratação e outros problemas relacionados às altas temperaturas.
A Sesma reforça que o enfrentamento da dengue é umaresponsabilidade compartilhadaentre o poder público e a sociedade. A continuidade das ações de controle e a colaboração dos moradores são fundamentais para reduzir a infestação do mosquito eproteger a saúde da população.
Outra maneira de se prevenir contra a dengue é aimunização. A vacina contra a doença está disponível emdiversos pontos da capital. Confira alguns deles:
CSE Marco (UEPA)
Av. Rômulo Maiorana, nº 2558
Segunda a sexta-feira – manhã e tarde
UMS de Fátima (APS)
Rua Domingos Marreiros, nº 1816
Segunda a sexta-feira – 8h às 12h e 13h às 17h
Hospital Naval
Rua do Arsenal, nº 200
Terças e quintas-feiras – manhã
Hospital da Aeronáutica
Av. Almirante Barroso, nº 3492
Segunda a sexta-feira – 8h às 11h
Hospital do Exército
Tv. Marquês de Pombal, nº 850
Segunda, terça, quinta e sexta-feira – 8h às 12h
Quarta-feira – 8h às 17h
Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (Uremia)
Av. Alcindo Cacela, nº 1421 – São Brás
Segunda a sexta-feira – 8h às 12h e 14h às 17h
Universidade da Amazônia (Unama)
Av. Alcindo Cacela, nº 287 – Umarizal
Segunda a sexta-feira – 9h às 12h e 14h às 17h
Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz)
Av. Visconde de Souza Franco, nº 72 – Reduto
Segunda a sexta-feira – 9h às 12h e 14h às 17h
Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra)
Av. Gentil Bittencourt, nº 1144 – Nazaré
Segunda a sexta-feira – 8h às 17h
Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Município de Belém (IASB)
Tv. Dr. Enéas Pinheiro – Marco
Segunda a sexta-feira – 8h às 14h
Além desses locais,a vacina está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs)da capital e distritos, conforme horários de funcionamento de cada espaço.
Órgão:Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), por meio da Divisão de Controle de Endemias (DCE)
Disque Endemias:(91) 98402-0894
Texto:Jonas Vila, estagiário sob supervisão da Ascom/Sesma