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Opinião: No Brasil, família com renda de 350 reais não vive mais na miséria

Opinião: No Brasil, família com renda de 350 reais não vive mais na miséria

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
17/10/2012 às 23h30 Atualizada em 17/10/2012 às 23h30
Opinião: No Brasil, família com renda de 350 reais não vive mais na miséria

Quem diz isso é o governo federal, acredite se quiser. Como pode uma dita autoridade nacional fazer tal afirmação? Sabendo que no Brasil, de acordo como cadastro do programa Bolsa família, havia no final de 2010, 13 milhões de famílias miseráveis no país, a presidente Dilma resolveu salvar os mais miseráveis.

Após pesquisa encomendada, seus auxiliares identificaram 16 milhões de brasileiros mais miseráveis, com menos de R$ 70 por mês de renda. Ela os classificou na extrema miséria. Daí que o governo inventou um novo auxílio, chamado de Brasil Carinhoso, acrescentando R$ 50 às famílias que recebiam R$ 300 reais.

Agora, a partir desse acréscimo do Brasil Carinhoso, iniciado em junho passado, o pessoal do governo tem a cara de pau de publicar que diminuiu em 40% o número de brasileiros que viviam na extrema miséria. Um anúncio bombástico que chegou à uma conferência internacional em Roma. É muito cinismo abafar uma cruel realidade de um país se candidatando a ser a quinta economia mais rica do planeta, mas que continua com 50 milhões de cidadãos vivendo com R$ 70 por mês para café, almoço, janta, água, gás e remédios.

E que dirá uma mãe com cinco filhos e sem marido, ouvindo esta informação de que ela teria subido na escala social, deixando de ser extrema miserável, porque agora recebe R$ 350 carinhosos? Ela que tem de enganar a fome de seus filos com chá de cidreira com farinha, cada manhã e caldo de caridade para o jantar de toda a família, que pensará ela disso tudo?

O governo ridiculariza o sofrimento dos miseráveis e ao mesmo tempo gasta bilhões de reais preparando a copa do mundo e construindo mega hidroelétricas. Subir de escala social é o caso dos novos vereadores de Santarém, que a partir de janeiro do próximo ano, entrarão na Câmara carinhosa, passando a receber R$ 9.500 por três sessões cansativas no plenário da Câmara por semana.

Uma coisa é a propaganda enganosa do governo federal, outra coisa é a vida de 50 milhões de brasileiros, que não são vereadores, nem recebem “o bolsa presidente do Brasil”.

*É diretor da Rádio Rural de Santarém
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