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Pinturas rupestres de Monte Alegre são tema de exposição

Pinturas rupestres de Monte Alegre são tema de exposição

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
12/12/2012 às 20h49 Atualizada em 12/12/2012 às 20h51
Pinturas rupestres de Monte Alegre são tema de exposição

O Parque Estadual de Monte Alegre, no Pará, guarda sítios arqueológicos onde estão vestígios da arte milenar da pintura rupestre. Em todo o Estado, são mais de 100 sítios registrados com pinturas rupestres e, as mais antigas, feitas por volta de 11 mil e 200 anos atrás. A preservação dessa herança está em xeque nos últimos anos. As ameaças vêm da dinâmica da natureza, como os efeitos do sol, do vento e da chuva, mas, também e principalmente, devido à ação humana, que destrói os registros ancestrais por meio da pichação.

A arqueóloga Edithe Pereira, pesquisadora do Museu Goeldi, conta que o Parque foi criado em novembro de 2001, por uma lei estadual, como uma Unidade de Conservação Integral, gerenciada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). No entanto, a medida não basta para a preservação dessa herança. “São necessárias estruturas para viabilizar o funcionamento do Parque, de modo a garantir a proteção do patrimônio arqueológico”, argumenta.


Somente a região de Monte Alegre conta com 20 sítios com pinturas já localizados, além de paredão com várias gravuras, submersas na maior parte do ano pelo rio Maicuru. O Museu Goeldi destaca as pinturas do Parque pela supremacia da temática antropomórfica e pela presença de representações gráficas visíveis unicamente com a ajuda de luz artificial. 


Outra característica interessante é o aproveitamento de orifícios, arestas ou protuberâncias das rochas no uso dos desenhos para contribuir na composição das figuras, dando volume ou compondo as imagens, como o desenho de faces humanas sobre projeções angulares de rochas, por exemplo.


De acordo com dados do projeto “Arte rupestre em Monte Alegre – Difusão e memória do patrimônio arqueológico”, sabe-se que os autores da arte rupestre em Monte Alegre foram homens modernos (homo sapiens sapiens), mas há dificuldades em identificar a que tribo pertenciam. O principal motivo para isso é o fato de que existem poucos indígenas vivendo nesta região e, quando isso ocorre, a tribo local não assume a autoria dos desenhos.
Esses vestígios deixados pelas populações indígenas do passado formam uma importante fonte de informação para o entendimento da história da Amazônia. Os desenhos estão protegidos por lei por estarem dentro de uma unidade de conservação de proteção integral, o Parque Estadual Monte Alegre (PEMA). As pinturas localizadas tanto no interior das grutas quanto ao ar livre apresentam um bom estado de conservação. No entanto, agentes biológicos, os constantes incêndios e principalmente o turismo desordenado estão contribuindo para a degradação dessas imagens.
De acordo com a coordenadora do projeto, Edithe Pereira, a capacitação dos professores vai treiná-los para utilizar o conteúdo do material produzido pelo projeto em sala de aula e, assim, também aproximar os alunos do patrimônio do município. “Dessa forma, vamos despertar neles o sentimento de pertença e a vontade de proteger essa herança”, complementa a pesquisadora.

Como parte das atividades do projeto, serão lançados dois livros: um infantil, chamado Itaí, a carinha-pintada, do escritor Juraci Siqueira e ilustrado pelas aquarelas de Mario Baratta (algumas das quais compõem a exposição); e outro para os adultos, intitulado ‘A Arte Rupestre de Monte Alegre’, de autoria de Edithe Pereira e dedicado às pinturas rupestres e outros vestígios arqueológicos; além do documentário Imagens de Gurupatuba, do diretor de cinema Fernando Segtowick, e do hotsite Arqueologia de Monte Alegre.
Da programação que se inicia nesta quinta-feira (13), em Monte Alegre, faz parte ainda uma oficina de capacitação de alunos e professores denominada Olhar, Perceber e Conservar. Será ministrada pelo autor das aquarelas e das ilustrações do livro infantil Itá,a carinha pintada, o artista Mário Baratta. O objetivo é “Despertar nos moradores da região, particularmente nos jovens, o respeito e a preservação do patrimônio local, através de ações que envolvem o fazer, o olhar e a percepção visual”.

(Com informações do Museu Goeldi)
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