Ditadura: Motorista que levava JK foi baleado antes de acidente
Ditadura: Motorista que levava JK foi baleado antes de acidente
Por: Redação / Web Amazônia
10/12/2013 às 16h31Atualizada em 10/12/2013 às 16h31
Segundo o relatório, Jahn afirmou ter visto o motorista de JK, Geraldo Ribeiro, "debruçado, com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel, não restando dúvida de que o condutor se encontrava desacordado e inconsciente, e já não controlava o veículo, antes do impacto".
Para a comissão Ribeiro foi atingido na cabeça por um projétil antes de perder o controle e causar o acidente. A afirmação se baseia na falta de laudos e exames de raio X feitos no corpo do motorista naquela época e no depoimento de um dos peritos que estiveram no local do acidente na noite.
O depoimento de Jahn reforça a suspeita de que o motorista foi atingido por um tiro antes da batida. Em novembro, Natalini solicitou ao governo de Minas nova perícia de um fragmento metálico encontrado no crânio de Geraldo Ribeiro.
O relatório afirma que o secretário de Defesa Social de Minas Gerais, Rômulo de Carvalho Ferraz, enviou um ofício à comissão dizendo que "não foi localizado o laudo original e materiais solicitados (fragmento metálico)".
"Conforme as autoridades de Minas Gerais, portanto, estavam desaparecidos das dependências da Polícia Civil tanto o laudo oficial com o resultado da exumação da ossada de Ribeiro, quanto a análise original do fragmento metálico". Essa primeira perícia apontava que o fragmento era um prego do caixão de Ribeiro.
Contrariando essa versão, o perito criminal Alberto Carlos de Minas relatou que foi impedido pela polícia que fazia a proteção do local do acidente de fotografar o corpo de Ribeiro, ao constatar um buraco no crânio do motorista. O perito disse à comissão que o buraco tinha as características de abertura causada por arma de fogo.
Ele também relatou que, dias após o acidente, o informaram de que o crânio do motorista havia sido esfacelado durante o acidente, contrariando o que ele tinha visto e que, assim, "não haveria como constatar qualquer abertura de projétil".
Além deles, também depôs o motorista Josias Nunes de Oliveira, que dirigia o ônibus que teria sido responsável pelo acidente. Oliveira afirmou, em seu depoimento, que recebeu uma oferta de dinheiro para que assumisse na época a culpa pela tragédia.
Com tudo isso, a comissão concluiu que Geraldo Ribeiro foi morto com um tiro e que já estava desacordado quando bateu o carro que levava JK com um caminhão que vinha em sentido contrário na estrada.
Natalini disse que encaminhará o relatório à Presidência da República, ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao Senado, e à CNV (Comissão Nacional da Verdade), para que o assassinato de JK seja reconhecido oficialmente. (R7)
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