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O cerco aos índios na ditadura e na democracia

O cerco aos índios na ditadura e na democracia

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
14/04/2014 às 16h01 Atualizada em 14/04/2014 às 16h01
O cerco aos índios na ditadura e na democracia


— O protesto silenciado da população contra o regime militar desaguou, para surpresa de todos, na defesa dos direitos dos índios. Foi essa mobilização que deu origem à campanha pela demarcação das terras indígenas, que, por lei, já deveria estar concluída — diz Manuela.

A continuidade de dramas dos índios na ditadura e na democracia foi sublinhada nos últimos dias por atos públicos no Rio e em São Paulo. No Museu do Índio, o debate “A questão indígena de 1964 até hoje” reuniu semana passada antropólogos como Carlos Augusto da Rocha Freire, José Ribamar Bessa e o guarani Tonico Benites, além de Marcelo Zelic. No sábado, na Casa do Povo, em São Paulo, foi lançada a campanha “Índio é nós”, em seminário com a participação de Zelic, Maria Rita Kehl, Manuela Carneiro da Cunha e o jurista e escritor Pádua Fernandes, um dos organizadores do evento, entre outros. Na ocasião, foi divulgado um abaixo-assinado “pela demarcação das terras indígenas” e “paralisação dos empreendimentos realizados à revelia dos direitos constitucionais desses povos” (manifesto e próximos atos da campanha estão no site www.indio-eh-nos.eco.br).

Signatária do texto ao lado de centenas de antropólogos, artistas, ativistas e outros solidários à causa dos índios, Manuela vê relação entre mobilizações atuais e as de quatro décadas atrás:

— Os índios que foram, como outros resistentes, enquadrados pelo regime militar como casos de segurança nacional, hoje, no regime democrático, continuam perseguidos. A Constituição de 1988, que proclama seus direitos, está sob constante ameaça de uma fortíssima bancada do agronegócio no Congresso.

*Repórter de O Globo
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