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Crônicas da vida real: Guerra entre o Céu e a Terra

Crônicas da vida real: Guerra entre o Céu e a Terra

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
25/08/2014 às 08h47 Atualizada em 25/08/2014 às 08h47

Um caso inédito e pitoresco, tramita na justiça na cidade litorânea de Aquiraz no Ceará, sobre um fato inusitado. Um templo evangélico estava sendo construído num terreno ao lado de um pequeno cabaré num bairro dessa cidade. A cafetina dona do bordel foi falar com o pastor se era possível mudar a construção da igreja para outra área longe de seu negócio, já que seus clientes estavam reclamando da proximidade dos prédios, pois quando eles chegavam ao prostíbulo e viam a igreja, ficavam receosos, temerosos e desmotivados, pois se lembravam da devassidão e do adultério condenados pela bíblia, certos de que estavam pecando, inclusive alguns até brochavam, só de lembrarem que poderiam ir para o inferno!

Mas o pastor foi irredutível na proposta de sua visitante, e até aconselhou-a a fechar seu lupanar e se converter a uma religião cristã e se transformar numa obreira. A mulher voltou triste, se queixando para seus clientes do desfecho da conversa. Tempos depois seus clientes foram se acostumando com a proximidade da igreja e o negócio começou a “bombar” em grana, e ela investiu na ampliação do bordel.

Aí o bicho pegou! E quem veio se queixar agora foi o pastor, querendo que a mulher mudasse seu prostíbulo para bem longe da igreja, pois o som alto dos bregas e boleros e as risadas das mundanas estavam tirando a concentração dos irmãos da igreja, com o perigo de alguns recém convertidos, se sentirem tentados a terem uma recaída. A cafetina respondeu no mesmo tom, que não mudaria, já que seu negócio estava indo muito bem obrigado! E de vento em popa!

Foi aí que a igreja se reuniu, e resolveram pedir ajuda do sobrenatural para a solução do problema, e para surtir efeito, passaram a fazer vigília, noites de oração, jejuns e penitências para que os Céus mostrassem uma solução aceitável para aquele impasse que já se mostrava fora de suas alçadas, e numa dessas reuniões, a cafetina colou os ouvidos no muro do templo, e escutou sons vindos da igreja que pediam até a destruição física da sua boate com fogo do céu, semelhante ao fato ocorrido com Sodoma e Gomorra...

Três semanas depois, durante um forte temporal que desabou sobre aquela pequena cidade, um raio caiu ao lado da igreja e acertou em cheio a boate, destruindo-a parcialmente, por sorte não morreu nenhum dos muitos freqüentadores que se encontravam em sodomia naquele ambiente, mas saírem lesionados e bem assustados. Resultado; a cafetina entrou na justiça com uma ação contra a igreja por danos materiais e morais de seus clientes (os casados humildemente abriram mão de seus direitos), responsabilizando o pastor pelas orações que acarretaram com a destruição de seu patrimônio com grandes prejuízos.

O juiz chamou as partes em audiência para uma oitiva, a fim de se inteirar dos acontecimentos e formar uma linha de condução do processo, inclusive com a presença de testemunhas de ambas as partes. Mas o pastor desconversou tirando o corpo fora, dizendo que as orações nem foram tão fortes assim, e que o sinistro não tinha nada a ver com os velados pedidos dos irmãos, e que entendia o fato como uma simples coincidência climática ou mesmo azar da prestimosa vizinha, referente ao aspecto meteorológico da região... Porém a cafetina botou o dedo na cara do pastor e protestou veemente contra a sua versão de desculpa, e diz acreditar piamente que sua boate foi destruída graças às muitas orações e vigílias feitas durante várias noites.

O magistrado agora encara um dilema envolvendo o céu e a terra; os santos e os pecadores, pois não entende as posturas dos queixantes na questão. Está diante de um imbróglio que envolve fé; quando de um lado uma pecadora promotora da prostituição demonstra um alto grau de fé no poder das orações e pedidos sobrenaturais, e de outro lado um pastor que professa a fé, incrédulo e duvidando dos efeitos sobrenaturais de seus pedidos em comunhão. E agora José? Quem tem mais fé? Sabedoria de Salomão neles!

Isso me faz lembrar um episódio ocorrido aqui em Santarém quando trabalhava em Curuá-Una. Um funcionário que prestava serviços e morava com sua família na barragem, numa “fugida” da esposa juntamente com alguns colegas, alegando ser devoto, disse que viria à Santarém assistir um filme inédito no saudoso Cine Olímpia, com o título: “A vida de Cristo”, e logo após o filme voltaria para casa... Só armação, a turma foi direta para a zona do baixo meretrício, mais precisamente ao bordel “Chapéu de Palha”, quando nesta noite durante uma tempestade caiu um raio sobre o prostíbulo e alguns freqüentadores desmaiaram e chamuscados foram levados direto para o SESP (hoje Pronto Socorro Municipal), inclusive o dito cujo adúltero...

Foi quando alguém telefonou para sua esposa avisando-a que o seu marido se encontrava internado no hospital, vítima de um raio que caiu na cidade. Ela logo pergunta ao interlocutor se o raio tinha caído sobre o Cine Olímpia, e recebeu a resposta que não, que o “raio que o parta” tinha caído num puteiro chamado de “Chapéu de Palha” e perguntou à ela se viria visitá-lo! Ela revoltada, prontamente respondeu: “Tu é doido, é!? Eu quero é que esse safado se exploda! E que não bote mais os pés aqui em casa, nunca mais”!

Moral da estória: “A mentira tem a perna mais curta do que se imagina”...

*É Projetista e Gestor Ambiental.
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