“A semente do carimbó plantada por mestre Lucindo cresceu e deu frutos. E agora é a nossa vez de mostrar para o Brasil inteiro a importância desse ritmo contagiante. Para nós é uma felicidade e uma honra enormes poder trazer o nome dele não apenas no nosso grupo, mas no sangue da maioria dos integrantes”, declara o músico Edilson Aleixo, 51, o “Chopp”, sobrinho de Lucindo.
Criado há menos de um ano, o “Raízes do Mestre Lucindo” já teve música premiada em festival e aos poucos vem ocupando espaço junto aos maiores grupos de carimbó da região. “A nossa principal função é não deixar morrer o carimbó raiz, cantado e ensinado por mestre Lucindo”, conta o vocalista Anselmo Amaral, 31.
Há mais de dois séculos, o Carimbó mantém sua tradição em quase todas as regiões do Pará, e tem se reinventado constantemente. Seus instrumentos, sua dança e música são resultados da fusão das influências culturais indígena, negra e ibérica; e a memória coletiva dos mestres e seus descendentes tem mantido vivo estes aspectos. Entretanto, a principal característica está nas formas de organização e reprodução sociais em torno desse ritmo, no cotidiano de sociabilidade dos carimbozeiros, seja ele relativo ao dia-a-dia do trabalho ou das celebrações religiosas e seculares.
Fonte: Agência Pará