10/10/2014 às 10h57Atualizada em 10/10/2014 às 10h57
Fica a impressão de que os dirigentes políticos que assim agem consideram-se os únicos capazes de administrar o país e os Estados. Muito mais digno seria liberar o eleitor _ ainda que a filiação não tire o livre-arbítrio _ para votar em quem quiser. Mesmo antes de sugestões equivocadas como essas, disparadas agora por líderes de partidos políticos, o número de eleitores que votaram em branco anularam o voto ou se abstiveram na disputa ao Palácio do Planalto alcançou 27% no primeiro turno.
O percentual perde apenas para o de 1998, quando chegou a 36%. Só os votos nulos e brancos para a presidência confirmados no último domingo superam em quase três vezes a soma dos recebidos pelos partidos de pequeno porte. E é de alguns dirigentes dessas legendas que mais partem recomendações inaceitáveis, como a de o eleitor fugir ao seu compromisso cívico marcado para o próximo dia 26.
Infelizmente, a democracia brasileira reduz as alternativas para os inconformados com a política ou colocados diante de situações atípicas, como a de optar por candidatos que não chegam a empolgá-los. Ainda assim, o eleitor precisa estar consciente de que, ao abdicar do direito de fazer suas escolhas, como sugerem alguns líderes partidários, delega esse poder para outros decidirem em seu nome. E voto não tem como ser terceirizado. A democracia e muitos políticos vêm evoluindo, mas seguem às voltas com deformações. Mais do que em qualquer outra época, porém, os eleitores dispõem hoje de uma série de mecanismos para avaliar candidatos antes e depois de definirem seu voto. Por isso, a recomendação de políticos para os eleitores votarem nulo ou em branco no segundo turno constitui-se num inaceitável desserviço à cidadania.
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