Delator relata pedido de propina de Cunha, que o desafia a provar
Delator relata pedido de propina de Cunha, que o desafia a provar
Por: Redação / Web Amazônia
16/07/2015 às 21h35Atualizada em 16/07/2015 às 21h35
“O deputado Cunha não aceitou que eu pagasse somente a parte dele. 'Olha, Júlio, eu não aceito que você faça uma negociação para pagar só a minha parte. Você até pode pagar o Fernando mais dilatado, mas o meu preciso rapidamente. Eu faço questão de você incluir no acordo aquilo que falta pagar ao Fernando'. E aí chegou um SMS: 'Entre US$ 8 milhões a US$ 10 milhões', uma coisa assim”, destacou Camargo no depoimento.
O ex-consultor da Toyo Setal afirmou que, sem ter recurso para pagar a propina, Cunha o ameaçou com um requerimento na Câmara, solicitando que os contratos dos navios-sonda fossem enviados ao Ministério de Minas e Energias para avaliação e eventual remessa para o Tribunal de Contas da União (TCU).
Acuado, Camargo disse que procurou o ministro Edison Lobão. “Eu disse a ele: 'está acontecendo algo desagradável'. Existe um requerimento disso, de uma empresa que eu represento, que eu acho que só traz benefícios para o país, tem trazido dinheiro japonês barato. E a reação dele imediata foi a seguinte: ‘Isso é coisa do Eduardo’”.
Conforme o relato do delator, no mesmo momento, Lobão ligou para Cunha. "Pegou o celular e ligou para o deputado Eduardo Cunha, na minha frente. Disse: 'Eduardo, estou aqui com o Júlio Camargo, você está louco?'. Não sei qual foi a resposta do deputado, mas ele disse: 'Você me procure amanhã cedo no meu gabinete em Brasília, que quero conversar com você. Desligou o telefone e disse: 'Júlio, o que te preocupa nesse requerimento? Existem coisas erradas?'. Falei: 'Ministro, não tem nada errado'".
Lobão, detalhou o ex-consultor, garantiu que não havia com o que Camargo se preocupar, que o processo terminaria o mais rápido possível.
Na nota divulgada nesta quinta, Cunha questionou o motivo de o ex-consultor só ter relatado agora que ele teria pedido propina. "O delator [Camargo] já fez vários depoimentos, onde não havia confirmado qualquer fato referente a mim, sendo certo ao menos quatro depoimentos. [...] Desminto com veemência as mentiras do delator e o desafio a prová-las", escreveu o peemedebista no comunicado.
Fonte: G1
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