O golpista cometeu alguns erros como, por exemplo, informar nome e sobrenome, além de repassar o número de um telefone celular. Após isso, o blog Quarto Poder iniciou uma pesquisa na internet em nome de Fabrício e descobriu vários casos envolvendo seu nome em crimes de estelionato.
Essas informações foram repassadas ao delegado Herbert Farias Jr., que começou uma investigação policial para tentar identificar a origem de Fabrício e descobrir se contra ele havia algum mandado de prisão. O delegado informou que não há contra ele nenhum mandado expedido pela Justiça, porém, existem mais de trinta procedimentos contra ele por crimes de estelionato e falsidade ideológica em várias cidades brasileiras.
Em Santarém, o delegado começou monitorar os passos do golpista e descobriu, por exemplo, que ele tentou fazer um empréstimo no Banco do Estado do Pará (Banpará), em Santarém, no valor de R$ 5 milhões. Fabrício Moraes por várias vezes esteve na sede da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (Aces), que após ser informada sobre de quem realmente se tratava também passou a monitorar seus passos.
Na manhã de quinta-feira (10), Fabrício estava em uma escola de informática reunindo várias pessoas, prometendo recrutar pessoas para trabalhar para a empresa dele durante o Sairé. O dono da empresa acionou o representante da Semdetur, que imediatamente acionou o delegado Herbert Farias Jr., que estava no encalço do golpista.
Fabrício recebeu voz de prisão e não reagiu. Ele foi conduzido à 16ª Seccional Urbana de Polícia Civil e negou ser estelionatário. Disse que era representante de uma empresa, a Nacional Brasil, especializada em turismo.
No encontro com as pessoas na escola de informática, onde ele foi preso, Fabrício disse que a empresa atua há cinco anos no mercado e que estava em Santarém instalando uma filial.
O delegado informou que a polícia foi informada pelo Banpará que desconfiou do pedido de empréstimo feito por ele à instituição bancária. Com documentos da empresa Nacional Brasil e uma lista de funcionários, o golpista queria obter um empréstimo no valor de R$ 5 milhões, que foi negada pela agência.
Outros crimes – Em fevereiro deste ano, Fabrício Gomes Moraes foi detido em Alta Floresta, onde também tentou aplicar um golpe no BNDES daquele município. À polícia, ele revelou que a sua intenção era reunir o maior número de documentos de trabalhadores para então tentar aplicar um golpe no BNDES. Para substanciar o golpe, Fabrício apresentou até uma obra em Cuiabá, onde iria alocar os trabalhadores. Tudo parte de um plano para obter o financiamento de forma fraudulenta. Ele contou aos policiais de Alta Floresta que já aplicou seis golpes no BNDES com o mesmo modus operandi. Em depoimento, afirmou que “estelionatário é assim, quanto mais ganha, mais quer”.
Fabrício Gomes Moraes também já se passou pastor, padre e até advogado. Mas apesar de sua extensa ficha corrida, não há contra ele, nenhum mandado expedido pela Justiça. O delegado Herbert Farias Jr., informou que a Polícia Civil do Pará vai pedir a prisão preventiva dele para tentar identificar outros golpes aplicados por ele em Santarém e no Pará.