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Manejo do pirarucu garante renda sustentável a indígenas Paumari da Amazônia

Manejo do pirarucu garante renda sustentável a indígenas Paumari da Amazônia

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
11/09/2015 às 08h57 Atualizada em 11/09/2015 às 08h57


Dificuldade

A maior dificuldade dos pescadores paumaris hoje é a falta de energia elétrica e gelo, que impede o armazenamento e o possível beneficiamento do pescado. “Precisamos muito de recursos para comprar barcos adequados e para produzir gelo”, diz Jurandi. Atualmente os pescadores dependem de uma cooperativa parceira de um município da região para recolher os peixes, em até três horas. “Eles se organizam e vem um barco do município de Lábrea para buscar esse pescado com o gelo”, conta Diogo Carneiro, da Opan.

Na primeira pesca, em 2013, o resultado surpreendeu. “Todo mundo pode ver o futuro, aí os que estavam de fora concluíram que valia a pena e a gente abraçou todo mundo”, diz Jurandi. Ele conta que, em vez de dividir o dinheiro da venda dos peixes só entre quem participou da pesca, decidiram compartilhar o lucro com todos os maiores de 12 anos da reserva.

Na segunda pesca, em 2014, os indígenas passaram a usar um sistema de pontos para calcular o valor que cada um receberia com base no esforço. A pesca de 2015 será no final do mês, uma semana após a contagem dos pirarucus na reserva, prevista para o dia 20 de setembro.

Manejo

A pesca do pirarucu foi proibida no estado do Amazonas em 1996. O manejo sustentável da espécie começou a ser implementado há 12 anos pelo Instituto Mamirauá na região do Médio Solimões. De acordo com o instituto, desde que o manejo começou, o faturamento com a pesca passou de R$ 10,8 mil, em 1999, para R$ 2,6 milhões, em 2014. A renda dos pescadores aumentou 29% no período. A produção de pirarucu passou de 3,2 mil quilos (kg) para 484,9 mil kg, ao mesmo tempo em que tem sido registrado, desde 1999, aumento populacional de pirarucus de 25% ao ano.

Os bons resultados inspiram que a ideia seja difundida em outras regiões. Representantes do povo Paumari estiveram em Brasília ontem (10) para apresentar a experiência ao Ministério da Pesca e Aquicultura, que manifestou interesse em replicar a ideia em outras comunidades indígenas. O assessor Kelvin Lopes, da Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Pesca disse que o Ministério da Pesca e a Fundação Nacional do Índio (Funai) devem firmar um acordo em breve. “Acredito que em no máximo 40 dias deve sair o acordo de ação mútua entre o Ministério e a Funai", conta. Ele explica que o plano é considerar as vocações de cada etnia para promover a gestão sustentável dos recursos pesqueiros das reservas. “Alguns tem vocação para a pesca esportiva outros, para a pesca ornamental ou para o manejo pesqueiro de diferentes espécies”, diz Kelvin Lopes.

Fonte: Agência Brasil
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