Por: Redação / Web Amazônia
26/09/2008 às 15h57 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Marcos Santos
A santarena Iracenilda Araújo, 38 anos, foi morta na Guiana Francesa com 11 facadas desferidas pelo próprio patrão, de nome ainda desconhecido, que se matou logo em seguida. O crime aconteceu na noite da última quarta-feira (24), em um garimpo clandestino numa cidade do interior daquele país. Até o momento, ainda são poucas as informações sobre o caso. A família de Nilda, como era conhecida a brasileira, tenta agora trazer o corpo para Santarém.
De acordo com informações fornecidas à reportagem por uma das filhas da vítima, Tatiana, na sua viagem mais recente à Guiana Francesa, a mulher estava há apenas dois meses, mas desde 2003, no entanto, que Nilda trabalhava no país vizinho.
Recentemente, ela estava trabalhando em um garimpo como cozinheira.
A filha não soube precisar detalhes sobre o nome da cidade onde Nilda morava na Guiana, nem o nome do homem que assassinou de forma brutal a santarena. “Tudo o que a gente sabe é o que uma amiga informou muito superficialmente sobre a discussão que minha mãe teve com esse homem”, relatou a jovem ainda bastante abalada com a morte precoce de sua mãe.
Através de alguns contatos em Caiena, por telefone, a reportagem descobriu que a vítima foi assassinada com 11 perfurações no corpo com uma faca tipo peixeira. O homem morreu cortando o próprio pescoço. A polícia local investiga a morte da santarena e trabalha na hipótese de crime passional. A família, no entanto, diz desconhecer se Nilda tinha algum tipo de relacionamento mais íntimo com o patrão ou se ele a mantinha em regime de escravidão. “Não podemos afirmar muita coisa, mas a polícia está investigando”, disse Tatiana.
Iracenilda morava na Rua Coelho Neto, no bairro de Santana, na área da Grande Prainha, na pe-riferia de Santarém, e os amigos e vizinhos ficaram muito chocados com a morte da mulher, que foi tentar a sorte num país desconhecido. Ela não é a primeira brasileira a ser morta de forma brutal nos garimpos da Guiana Francesa. O corpo dela foi levado para Georgetown, na Guiana Inglesa, e de lá será removido para Boa Vista, em Roraima. A família não conseguiu contato com a embaixada brasileira para ajudar na transladação do corpo, que fará uma longa viagem até chegar a Santarém. O custo da viagem ultrapassa R$ 10 mil. “Não temos esse dinheiro, mas estamos tentando de tudo para trazer o corpo dela para cá e fazer um enterro justo”, disse a filha.
Oficialmente, 20 mil brasileiros moram lá, mas o Itamaraty acredita que há outros 50 mil ilegais, desse total, a maioria é mulher que traba-lha como prostituta nas áreas garimpeiras da Guiana.
Mas ao contrário das outras brasileiras que vão tentar a sorte como prostituta no Suriname ou na própria Guiana, Nilda tinha profissão e trabalhava como cozinheira há 5 anos em um garimpo da região.
Seduzidas pela promessa de dinheiro fácil nos garimpos do Suriname e Guiana Francesa, mu-lheres de várias cidades amazônicas seguem rumo a um mundo desco-nhecido, onde o tráfico de droga é predominante e onde a lei dos mais fortes impera. A capital Caiena é a cidade que mais recebe brasileiros, mulheres na sua maioria.
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