27/09/2008 às 10h54Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Uma cobra sucuri, mais conhecida como anaconda, de aproximadamente 10 metros de comprimento, foi morta por moradores de uma comunidade do interior do município de Juruti, há duas semanas. A cobra, que estava em pleno período de gestação, estava próxima a uma vila de casas, situada à margem da floresta, quando os moradores avistaram e mataram o animal. Segundo eles, foi em legitima defesa.
Em legítima defesa ou não, casos dessa natureza são considerados crime Ambiental. Segundo o artigo 29 da lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente é considerado crime, que tem como pena a detenção de seis meses a um ano, e multa. Fato que dificilmente ocorre em qualquer lugar do Brasil, haja vista que como essa sucuri, muitos animais são caçados, perseguidos e mortos mesmo estando em seu habitat natural que é a floresta Amazônica.
Segundo Sid Cleiton, biólogo e coordenador do zoológico de Santarém, Zoofit, nunca foi comprovado que uma pessoa foi engolida por uma cobra. As únicas informações que chegam são lendas e mitos contados por pessoas antigas e moradores das áreas rurais que narram historias de cobras grandes e anacondas que engoliram ribeirinhos, mas fatos verídicos que comprovam essa afirmação nunca existiram.
Segundo o biólogo, por estar em período de gestação a cobra não representava nenhuma ameaça aos moradores, pois grávida, ela fica impossibilitada de esmagar ou até engolia alguém, dessa forma não tinha o porquê deles a matarem e de forma tão cruel como foi feito. "O que deve ser feito ao avistar qualquer animal dessa natureza, que represente ou não ameaça, é comunicar imediatamente aos órgãos competentes e eles saberão como agir em um momento complicado como esse, explicou.
No caso de Juriti, os moradores deveriam recorrer à Policia Militar ou Civil, já que a cidade ainda não disponibilizar de um órgão voltado para a preservação ambiental.
Ainda segundo o biólogo, durante esse período é comum que as cobras fiquem desordenadas e à procura de lugares úmidos e até mesmo moradias próximas a floresta para se esconderem, como deveria ser o caso dessa cobra.
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