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Começa período de desova de quelônios na Reserva Biológica do rio Trombetas

Começa período de desova de quelônios na Reserva Biológica do rio Trombetas

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
02/10/2008 às 13h20 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Setembro chegou ao fim dando início a mais um período de reprodução dos quelônios da Amazônia, que vai até dezembro. No Oeste do estado do Pará, por exemplo, dentro da unidade de conservação Reserva Biológica (Rebio) do Rio Trombetas, são encontradas dez espécies de quelônios. Dentre eles, estão as espécies tartaruga-da-amazônia, o pitiú e o tracajá. Os tabuleiros, como são chamadas as praias de areia localizadas nos rios, são as principais áreas de desova da tartaruga-da-amazônia. Já os pitiús e tracajás preferem as praias e barrancos de lagos, como as do lago Erepecu.

De setembro a dezembro, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável por administrar as unidades de conservação (UCs) federais, desenvolve na região o trabalho de fiscalização e manejo, com foco na preservação da população de tartaruga-da-amazônia. "O ideal é não mexer nos ninhos, mas nas áreas onde há risco de roubo ou de inundação, os ovos são transferidos para as duas praias mais próximas da base da reserva, onde podemos protegê-los mais facilmente", explica o analista ambiental do ICMBio, Antônio Correia Jr.

O trabalho consiste, inicialmente, na identificação dos ninhos e no acompanhamento do nascimento dos filhotes. Após a eclosão, os filhotes são encaminhados para um tanque-berçário, onde permanecem por uma semana. Depois, eles são devolvidos à natureza. Durante a desova, a tartaruga-da-amazônia é muito sensível ao barulho e à agitação. Os ruídos afugentam as fêmeas, que podem deixar de subir nas praias para desovar. "Por isso, durante esse período, as embarcações que normalmente navegam pelos rios, levando passageiros e cargas, não podem trafegar na área dos tabuleiros no período noturno, com exceção de casos de emergência como, por exemplo, transporte de doentes", destaca oanalista.

Para essa e outras atividades, o ICMBio conta com o apoio da Mineração Rio do Norte (MRN), empresa produtora de bauxita localizada no limite da unidade de conservação.

Através de um convênio, a empresa repassa, anualmente, R$ 870 mil ao Instituto. Além de investimentos na Rebio do Rio Trombetas e na Floresta Nacional Saracá-Taquera - unidades de conservação que completam 29 anos em 2008 -, o subsídio ajuda a manter uma equipe de agentes ambientais nas bases regionais e as estruturas de apoio sempre em funcionamento.

É também com esse apoio da MRN que o ICMBio desenvolve, desde 2003, o Projeto Quelônios Comunidade, em parceria com a Comunidade Último Quilombo do Erepecu, com 35 voluntários. Neste ano, os comunitários ajudarão a proteger quatro praias de desova de tracajá e pitiú. Outras comunidades serão convidadas a visitar a área de proteção para conhecer o trabalho desenvolvido e participar de atividades como a soltura de filhotes, que ocorre de janeiro a março. "Todos podemos ajudar na preservação destas espécies com ações simples, como não caçar, não comprar ou consumir carne desses animais e divulgar a importância de proteger essas espécies", enfatiza.

"Mas o trabalho não se restringe às épocas de reprodução. Durante o ano inteiro, são realizadas pesquisas sobre quelônios presentes na região. Conhecer os hábitos de vida e reprodução dessas espécies é importante para sua conservação. As pesquisas são desenvolvidas por pesquisadores de diversas instituições de ensino do país, com as quais temos parcerias", ressalta Antônio. A educação ambiental também faz parte das ações implementadas pelo ICMBio nas unidades de conservação. Na temporada de reprodução, são desenvolvidas atividades com as escolas, reuniões e excursões com a comunidade, professores e alunos. "Nosso desafio é preservar a biodiversidade de forma integrada com o desenvolvimento das comunidades do entorno", avalia Antônio.

A MRN também apóia o projeto de manejo sustentável dos quelônios da Amazônia em 20 comunidades pertencentes aos municípios de Oriximiná e Terra Santa. O projeto, mais conhecido como Pé de Pincha*, é desenvolvido pelo Ibama e pela Universidade Federal
do Amazonas (Ufam), em parceria com as prefeituras municipais. O trabalho é desenvolvido de forma semelhante ao projeto do ICMBio e conta com a participação voluntária efetiva dos moradores das comunidades. Desde 2002, quando a MRN passou a
apoiar o projeto, já foram devolvidos à natureza cerca de 60 mil filhotes de quelônios.

*Pincha, na região, significa tampinha de garrafa. A analogia se deve à semelhança das pegadas deixadas por estes quelônios na areia com a marca da tampa das garrafas de refrigerante.
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