11/10/2008 às 09h55Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Bruna Jaqueline
Apesar de a Divisão de Vigilância em Saúde (Divisa) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) advertir as farmácias sobre a proibição da venda dos medicamentos antiinflamatórios Prexige (Lumiracoxibe) 400, do la-boratório Novartis, e Arcoxia (Etoricoxibe), 120 mg, da Merck Sharp e Dohme, algumas farmácias ainda têm o medicamento Arcoxia em seus estabelecimentos. De acordo com informações da Divisa, esses remédios tiveram o registro cancelado pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) pois o meio do parecer técnico comprovou que os riscos da utilização desses medicamentos superam seus benefícios.
A Anvisa divulgou que o cancelamento destes medicamentos tem caráter definitivo e, por isso, dro-garias e farmácias devem devolvê-los às distribuidoras. Mas não é isso que ocorre na cidade, a nossa reportagem visitou várias farmácias e também consultou outras, por telefone. Na maioria, foi dada a informação de que os medicamentos citados haviam sido recolhidos pela Vigilância Sanitária.
Em dois estabelecimentos, no entanto, foi informado que havia o Arcoxia, mas que este só poderia ser vendido com receita médica e em outro, a nossa equipe conseguiu comprar o remédio sem receita. Em virtude desses fatos, o Portal na Hora procurou a Divisa, através do coordenador de qualidade de drogas e medicamentos, Francisco Sousa Rego, para esclarecer essas situações.
Repórter: Qual a recomendação que a Dvisa dá aos pacientes que estiverem fazendo uso deste medicamento a fim de que o tratamento não seja interrompido? Francisco Rego: Que os pacientes procurem o médico que indicou o remédio para que lhe preescreva outro que seja favorável ao seu tratamento. É preciso também que o médico seja conhecedor dessas mudanças para que irregularidades como essas sejam extintas da sociedade,
Repórter: Existe alguma punição para quem comercializa esse medicamento? Francisco Rego: A princípio a Vigilância Sanitária faz um traba-lho educativo, o caráter administrativo vem em última situação. Como a suspensão do medicamento como o Prexige é nacional a Anvisa determinou que os laboratórios e as distribuidoras que comercializam esse remédio sejam responsável pelo recolhimento.
Repórter: Em Santarém houve alguma fiscalização? Francisco Rego: Sim, mas até o momento ainda não nos deparamos com esse produto. Apesar de sabermos que houve a entrada dele aqui, não encontramos em estabelecimento nenhum a sua venda. É bem possível que haja, mas até o momento a Vigilância ainda não se deparou com nenhum.
Repórter: Quando a forma educativa não funciona, qual é a outra forma que a Vigilância Sanitária trabalha? Francisco Rego: Apreensão do produto. A Vigilância considera uma alta infração cometida pelo dono do estabelecimento e pelo responsável técnico, pois todo estabelecimento com comércio varejista em medicamento tem um farmacêutico como responsável e esse também é o técnico que ajuda em todo assessoramento necessário para indicar quais produtos devem ser comercializados ou não.
Repórter: Fora esse medicamento existem outros que a comercialização está proibida? Francisco Rego: Na verdade existe muitos, esse se tornou notório pelo fato dele ser de marca, mas existem muitos medicamentos nos mercado que estão dando trabalho à Vigilância Sanitária e conseqüentemente aos consumidores, como por exemplo, os compostos derivados de mel, os que utilizam a creolina como componente em suas formulações e outros medicamentos sem o menor registro, incluído sabão, veneno e alguns produtos medicinais que inclusive tentam ludibriar o consumidor com a rotulagem de legislações inexistente.
Repórter: Como a Vigilância Sanitária faz essa fiscalização nas farmácias? Francisco Rego: A princípio o proprietário solicita, mas a partir do momento que ele não faz essa solicitação, a Vigilância Sanitária faz um esquema de trabalho visando à vistoria nesses estabelecimentos, durante essas vistorias, principalmente a de licenciamento, o proprietário é notificado a providenciar o seu medicamento e outras coisas que venham melhorar o seu ambiente de trabalho. Repórter: E os medicamentos feito em casa, qual é o papel da Vigilância na fiscalização deles? Francisco Rego: Isso aí não é só proibido como é facilio de apreensão de alta infração, conseqüentemente, pode ate gerar multa e interdição do estabelecimento.
Repórter: Dessa forma, como é feita então a fiscalização no Mercadão 2000, já que é notório a venda dos remédios caseiros? Francisco Rego: Existe um senso comum não só aqui em Santarém como em todo o Brasil que feiras maiores como Ver o Peso passam pela mesma dificuldade que aqui. Mas o que é apreendido em feiras grandes, desse porte, são os medicamentos em tarja verme-lha. Esses outros medicamentos medicinais como andiroba e copaíba que não têm rotulagem e nem indicação, por isso são chamados de uso popular, são liberados. E os que foram manipulados precisam de registro, e está dentro da legislação sanitária que está em vigor.
Repórter: Qual a recomendação aos consumidores? Francisco Rego: A gente sempre recomenda aos consumidores e alerta que em qualquer caso, seja medicamento manipulado ou não que eles não comprem sem recomendações medicas e nem tome em excesso, pois a diferença entre o medicamento e o veneno é a dose, então, produtos que você esta costumado a utilizar pode repente ter um efeito nocivo, hoje os efeitos podem se acumular, mas com o passar do tempo e mais tarde causar um dano maior a saúde de qualquer pessoa.
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.