Choque no ar - Inquérito depende agora de perícia
Fonte: O Estado de S.Paulo
Link:
Esse é o caso mais complexo em que trabalhou?
Eu acho que, de repercussão pela imprensa, sim. Mas o que eu achei mais complicado foi o de Rondônia, a Operação Dominó, na qual desmontamos uma ação criminosa na Assembléia Legislativa.
O senhor estudou sobre aviação para cuidar do caso?
Não. Dei uma estudada nas normas básicas pré-selecionadas por um órgão da PF que cuida das aeronaves do departamento. Eles separaram tudo para mim. Estou tendo todo o auxílio do setor de perícias também.
Qual foi a maior dificuldade?
Ter acesso às informações em poder da Aeronáutica.
A divulgação de parte da transcrição das fitas do acidente, pela imprensa, causou problema?
Causou uma desconfiança, houve um desgaste por todos os lados. Fica aquele clima ruim. Pensam, poxa, será que foi um funcionário da Aeronáutica que estava trabalhando lá dentro e não podia divulgar? Mas eu acho que não deveria ser divulgado, existe decisão da Justiça para que não seja divulgado.
A população não tem o direito de saber o que aconteceu?
Para isso existe o momento certo, que é na época da ação penal. A população precisa saber, eu acho, das conclusões. Enquanto isso, as conclusões prematuras podem gerar mais confusões do que esclarecer. Por exemplo, no começo falou-se muito que os pilotos fizeram manobras no ar. Pelas transcrições, a aeronave seguiu a 37 mil pés sem manobras arriscadas.
Quando a transcrição chegou às suas mãos?
Em inglês, em novembro. Traduzida (por peritos da superintendência de Cuiabá), em dezembro.
Os diálogos já não são suficientes para o inquérito?
Não. Pelo seguinte: na navegação aérea são vários fatores que influenciam. Você tem equipamentos que podem influenciar a conduta do piloto. É um conjunto de coisas. São vários fatores que são reunidos, nunca é um fator só que causa o acidente. Num inquérito dessa magnitude não se pode fazer um serviço incompleto, que depois vai ser objeto de contestação por parte dos advogados interessados em defender eventuais culpados. Tem de apresentar um trabalho de primeira linha.
O que falta agora?
Falta basicamente essa perícia. E 80% do tempo (dos 60 dias) vai ser gasto na perícia. Ela vai averiguar: primeiro, saber questões sobre o TCAS e o transponder. Como esses equipamentos funcionam na prevenção de colisões aéreas. Como esses equipamentos interagem de uma aeronave com a outra. Se estivesse ligado o aparelho, o desvio era automático. Imputa-se a quem desligou a culpa do acidente.