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Usuários denunciam mototaxistas legalizados por cobrança abusiva

Usuários denunciam mototaxistas legalizados por cobrança abusiva

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
22/11/2008 às 09h49 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Os preços exorbitantes cobrados por mototaxistas autorizados pela Prefeitura têm causado conseqüências negativas aos usuários do serviço e contribuído para o surgimento de novos mototáxis clandestinos na cidade. Segundo populares, a classe legalizada se aproveita da autorização que a Secretaria de Transporte (SMT) cedeu para cobrar preços abusivos. Nem todo passageiro tem condição de pagar pelo preço da corrida cobrada acima do valor determinado. A reclamação é geral.

Por sua vez, os mototaxistas legalizados alegam que isso ocorre, entre outros motivos, porque a tabela de preço da classe não sofre reajuste há algum tempo e que os preços das peças de reposição aumentaram bastante nos últimos dias, causando prejuízos aos trabalhadores. Além disso, tem ainda a manutenção das motos que leva uma boa parte do dinheiro arrecadado durante o dia. Diante dessa situação, a reportagem saiu às ruas e ouviu os usuários sobre o assunto. A maioria das pessoas entrevistadas demonstrou grande insatisfação com a categoria e denunciou um possível esquema entre os mototaxistas na aplicação de uma tabela paralela ao determinado pela Secretaria Municipal de Transportes.

Azomar Jati, 22 anos, funcionário público, que constantemente usa o serviço de mototáxi, costuma pagar do Santíssimo para a Avenida Rui Barbosa entre R$ 3 e R$ 4,00, dessa forma, gasta por dia, dez reais com moto taxi regularizados. “Mas quando pego um clandestino, qualquer corrida custa dois reais, o que é melhor para a minha situação financeira, pois não ganho tão bem. Meu dinheiro só dá para pagar mototáxi”, disse reconhecendo que o serviço clandestino, no entanto, é mais arriscado porque essas pessoas não receberam treinamento ou capacitação para transportar passageiros.

Apesar da segurança oferecida pelo serviço de mototáxis regulares, a população tem cada vez mais optado por usar o serviço clandestino, que não oferece amparo legal em caso de acidentes. Ao contrário do serviço autorizado pelo Município, já que todos os veículos e condutores são identificados, têm seguro em caso de acidente e dá mais tranqüilidade aos usuários.

A questão toda está na cobrança abusiva dos preços das corridas. Há um limite na área urbana da cidade para que seja cobrado um valor acima do preço de tabela predeterminado pela SMT em acordo com os mototaxistas, porém, muitos condutores cobram bem acima do que ficou definido. Por exemplo, uma corrida da Avenida Tapajós à Avenida Muiraquitã o usuário deve pagar somente R$ 2,00. A partir deste limite o valor máximo é R$ 3,00. Mas não é o que acontece, já que muitos mototaxistas cobram até R$ 4,00. Em alguns casos, os condutores indagam com o passageiro qual o destino e já informa o valor da corrida. Mas na maioria das vezes, eles só informam o preço quando a pessoa chega ao seu destino final. Há muitas reclamações dos usuários de abusos praticados pela categoria, já que o passageiro é ofendido e humilhado pelo condutor.

“Eles não têm um valor certo para as corridas e definem o preço pela cara e roupa do cliente, Mas sempre acima dos três reais”, afirma o vendedor Mário Castro.
Ele observa que às vezes os passageiros não têm outra opção de transporte, porque estão em uma rua que não passa outro tipo de condução e são obrigados a pagar o preço abusivo cobrado pelos mototaxistas.

SMT orienta passageiro a denunciar abusos praticados

Enquanto os usuários reclamam dos preços, a Secretária Municipal de Transporte afirma que os agentes de trânsitos estão nas ruas e juntamente com a Polícia Militar, fazem o trabalho de fiscalização, principalmente em combate a práticas ilegais dos mototaxistas para coibir os abusos cometidos. Sobre reclamações por conta de preços abusivos praticados pela classe, o secretário Joaquim Azevedo informou que as reclamações são freqüentes e ressalta que as pessoas que se sentirem lesadas podem telefonar para a SMT e informar o número do mototaxista ou comparecer ao prédio da SMT para formalizar a denúncia. Contudo, ele observa que essa situação é muito delicada, porque eles não podem aplicar multa aos mototaxistas por esse motivo, apenas orientá-los.

Segundo o presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Santarém, Raimundo Elionaldo, o sindicato está tentando resolver o problema da tabela de preço, a qual é reajustada de acordo com o aumento do preço de combustível e outros insumos, e encaminhada para o Conselho Municipal de Transporte e para a Assessoria Jurídica da Prefeitura.

Sobre os preços, Elionaldo afirmou que geralmente o mototaxista tem que combinar antes o preço com o passageiro, mas corridas de dois reais estão quase que impossíveis de serem feitas, pois o preço do combustível está alto. Além disso, tem a tarifa mensal que os legalizados pagam à Prefeitura. “Os clandestinos não têm que pagar nada, nenhum encargo, nenhuma taxa, por isso cobram mais barato, e acabam atrapalhando os serviços do credenciados”, diz.

O sindicalista enfatizou ainda que apenas 250 membros estão cadastrados para trabalhar, e a prioridade agora é sindicalizar outras motos.

Contudo, a população santarena é quem sofre principalmente as pessoas que necessitam usar o serviço.
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