Por: Redação / Web Amazônia
22/11/2008 às 09h52 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Ainda vai dar muito que falar o incidente ocorrido com um grupo formado por 45 estudantes que se perdeu nas matas da Serra do Piquiatuba, na noite da última quinta-feira. Os alunos, todos do Colégio Dom Amando, participavam do 11º Dia de Caminhada Ambiental e estavam acompanhados de dois professores de educação física do colégio: Carlos Mota e Albaniza Shirley dos Santos. Em nota, a direção do educandário afirma que o grupo se perdeu nas matas por causa de um erro cometido pelos guias, oficiais do Exército.
Na versão dos diretores da CDA, os estudantes foram conduzidos pela trilha por dois tenentes e um soldado do BEC. À maioria dos alunos foi entregue uma mochila com uma rede de selva, para dar realismo à caminhada. Diz o documento, que, por volta das 16h30, um dos oficiais, o tenente Rezende se afastou do grupo com o objetivo de buscar resgate, porém, sem sucesso, já que militar saiu nas imediações do bairro da Nova República, à noite.
O grupo continua a caminhada nas matas até o escurecer, ocasião em que os alunos passaram a informar aos pais sobre a evidente perda nas matas. A nota, assinada pelo diretor geral do educandário, Irmão José Ricardo Kinsman, e também pelos diretores pedagógicos Ormano Sousa e José Maria Feitosa Maia, relata ainda que em nenhum momento o comando do 8º Batalhão de Engenharia e Construção comunicou à direção do CDA sobre o incidente. O alerta foi dado pelos próprios estudantes que ligaram de seus celulares para os pais, relatando que estavam perdidos nas matas e que não tinha mais água e nem suprimentos.
Era por volta das 22h30 quando duas patrulhas do BEC localizaram os estudantes. A chegada deles à sede do Batalhão foi por volta de 1 hora da madrugada de sexta-feira. À espera dos alunos, pais e diretores do CDA aguardavam ansiosos e viveram momentos de muita aflição.
Os diretores do colégio afirmam categoricamente que todos os procedimentos para a realização da trilha foram corretos e dentro do que havia sido planejado. No entanto, afirmam, em nota divulgada na sexta-feira à imprensa, que o erro foi dos guias, oficiais detentores de cursos de sobrevivência na selva.
Por sua vez, o comando do 8º BEC, também por meio de nota, afirma que a caminhada foi conduzida por militares preparados e equipados para a realização das atividades em ambiente de selva, com a estrita observância de todos os quesitos de segurança. Sobre o incidente, o Exército informou que passado o horário previsto do retorno do grupo, o comando do Batalhão montou equipes de resgate que incursionaram na mata com o objetivo de realizar a busca ao grupo e que durante toda a ação o BEC e vários pais de alunos mantiveram contato telefônico com o oficial instrutor e com os próprios alunos, obtendo informações sobre a situação física e condições em que o grupo se encontrava.
Como medida de segurança, diz a nota, o oficial instrutor reuniu os estudantes e decidiu aguardar no local a chegada das equipes de buscas.
O BEC diz ainda que por volta das 22 horas, as equipes localizaram o grupo e o conduziu em segurança até à sede da instituição. A nota divulgada à imprensa é assinada pelo comandante do 8º BEC, tenente coronel José Alberto Silveira Ribeiro.
O Comando do 8º Batalhão deve instaurar inquérito administrativo para apurar se houve negligência do oficial encarregado da missão.
Relatos de estudantes dão conta que durante a caminhada, os alunos passaram por poças de lama, subiram em serras íngremes com certa dificuldade e que de tanto andarem se perderam. Eles dizem que andaram em círculos até perceber que estavam perdidos.
Houve princípio de desespero entre os estudantes, que passaram então a ligar para os pais, informando o ocorrido. O grupo estava cansado e com fome.
"Felizmente, ninguém ficou ferido. Mas o susto foi grande", disse uma estudante.
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