Por: Redação / Web Amazônia
15/12/2008 às 11h58 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
O investimento em qualificação tem trazido bons retornos para o empresariado santareno e para a economia da cidade. A implantação do Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), e do programa para certificação no Selo de Gestão de Qualidade da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (Aces) oportunizou aos empresários locais maior profissionalização e modernização dos seus sistemas de gestão. Ao atingir um patamar mais elevado de qualidade, as empresas têm se tornado mais competitivas e, consequentemente, potenciais fornecedoras de empresas de maior porte que atuam na região.
Na Mineração Rio do Norte (MRN), desde 2007, o volume de faturamento dos fornecedores santarenos ultrapassou os de Belém. Foram R$ 18,4 milhões de compras em Santarém contra R$ 16,3 milhões em Belém. Em 2008, essa diferença aumentou. Até novembro deste ano, a companhia já havia comprado R$ 22,7 milhões em Santarém e R$ 15,9 milhões em Belém. As compras da MRN no estado do Pará ficaram em R$ 130,45 milhões nesse período - aproximadamente 54% do total de R$ 241,7 milhões. "Essa tendência é praticamente irreversível, o consumo regional deve aumentar cada vez mais, especialmente pela crescente preocupação dos empresários locais em se tornarem fornecedores de qualidade", avalia o especialista em suprimentos da MRN, Ângelo Mattos.
Em parceria com a MRN, a Associação Comercial e Empresarial de Santarém (Aces) já certificou 50 empresas santarenas no Selo de Gestão de Qualidade da Aces. No início de dezembro, a terceira turma concluiu o programa, que resultou em 13 empresas certificadas e 21 recertificadas. Com o objetivo de qualificar o empresariado regional para atender as demandas de mercado, o selo nasceu como alternativa ao empresário que ainda não está preparado para participar do Programa de Certificação de Empresas (Procem), também desenvolvido pela Fiepa, com coordenação do PDF.
A certificação no Procem é válida em todo o estado do Pará e o programa dura 11 meses. Mas o Procem trabalha apenas com empresas de indústria de base, como construção civil, metal-mecânica e engenharia de projetos. Como Santarém tem um número pequeno de empresas desses setores, há uma limitação na oferta de turmas para os empresários da cidade. Isso acabou gerando a necessidade de se criar um programa local para atender a demanda do público de Santarém em busca contínua por qualificação. "Além disso, o Procem tem um alto grau de complexidade e exigência. Nesse sentido, o programa para certificação no selo da Aces funciona como um primeiro passo", destaca o presidente da Aces, Olavo das Neves.
Baseado nos mesmos requisitos do Procem, o selo de Gestão de Qualidade da Aces aborda em seu programa questões relativas às áreas de qualidade, produtividade, saúde e segurança, finanças e tributos. Com duração de seis meses, o processo que leva à certificação inclui treinamentos com consultores e auditorias independentes, com profissionais treinados pela MRN. A etapa de monitoria é realizada por alunos do curso de Administração de faculdades locais. Caso atinja um percentual mínimo de 80% na implantação dos requisitos, a empresa é certificada. "O selo da Aces já se tornou referência. A Fiepa já entrou em contato conosco, com a intenção de usá-lo como modelo para empresas do interior do estado", enfatiza o presidente da Aces.
Ângelo Mattos lembra que, atualmente, cerca de 80% das empresas santarenas certificadas com o selo de Qualidade de Gestão da Aces fornecem produtos e serviços para Porto Trombetas. "Vamos continuar apoiando programas de qualificação para desenvolver fornecedores que possam atender não só nossa demanda em Trombetas, mas as demandas do mercado de uma forma geral. No fim, todos ganham: o comprador, o fornecedor e a economia local", enfatiza.
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