Alcoa busca retomada do diálogo com manifestantes para evitar mais prejuízos e paralisação do Projeto
Alcoa busca retomada do diálogo com manifestantes para evitar mais prejuízos e paralisação do Projeto
Por: Redação / Web Amazônia
04/02/2009 às 11h32Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Cerca de mil trabalhadores são mantidos em total isolamento pelos manifestantes com a interdição da PA-192. A interdição da rodovia PA-192 por comunitários liderados por Gerdeonor Pereira, presidente da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve), pode paralisar o projeto Mina de Juruti e causar sérios prejuízos ao Pará e ao país. Durante coletiva à imprensa em Belém, o Presidente da Alcoa América Latida e Caribe Franklin L. Feder mostrou-se preocupado com as manifestações que podem interferir no andamento do Projeto já em fase de conclusão. “Mantivemos os investimentos no Estado, indo contra todas as circunstâncias da forte crise que abala a economia mundial, acreditando nesse projeto e no Pará. Porém, esta invasão traz um impasse em todo o diálogo que vinha ocorrendo. Corremos um sério risco de paralisar o empreendimento, gerando sérios prejuízos a todos”, afirmou Franklin.
A coletiva foi realizada na tarde de ontem (03) no Escritório da Alcoa em Belém com representantes da imprensa local para esclarecer os questionamentos em relação à manifestação dos comunitários em Juruti, na região Oeste do Pará, onde a Companhia instala uma Mina de extração de Bauxita. A manifestação, iniciada na última quarta-feira (28) conta com cerca de 150 pessoas acampadas na Base Capiranga e outras 20 que interditam a rodovia estadual PA-192, via de acesso à futura unidade de beneficiamento da Alcoa.
O Presidente se disse otimista em relação ao projeto e as negociações, mas pediu urgência no desbloqueio da PA-192. O bloqueio da estrada ocorreu no sábado (31), mais de mil trabalhadores da Alcoa são mantidos em total isolamento. Segundo ele, a negociação para o desbloqueio da rodovia é prioridade para a Alcoa. “Já está faltando comida e água. Cerca de mil empregados da Companhia estão impossibilitados de voltar para suas casas, entre eles vários paraenses e jurutienses. Eles não podem sair da área do beneficiamento. Isso causa um desgaste muito grande e prejudica muito o trabalho e o relacionamento com a empresa”, explicou Franklin. Franklin Feder ainda aproveitou a oportunidade e apresentou os investimentos que a empresa realiza no município de Juruti, que totalizam R$ 350 milhões, equivalendo a quase 15% do montante dedicado ao empreendimento. Somente na Agenda Positiva, um investimento voluntário em projetos nas áreas de educação, saúde, saneamento, entre outras ações, a Alcoa investe R$ 50 milhões em parceria com o Poder Público. “A Alcoa entende e reconhece a urgência de investimento para a melhoria de Juruti e tem colaborado significativamente para que o município consiga vencer desafios históricos. Foram gerados R$ 48 milhões em ISS somente em 2008. Agora, cabe ao Poder Público direcionar a verba aplicada ao município”.
Pesquisa realizada pelo IBOPE no início de 2008 aponta que praticamente 90% da população jurutiense apóia o empreendimento da Alcoa. O projeto conta com incentivos do BNDES e é considerado estratégico para o Governo do Estado e em nível federal. Franklin enfatizou que a Alcoa está em total conformidade com a legislação ambiental e o código mineral. “A Alcoa jamais contestou o pagamento das compensações socioambientais. Isso é lei. É inquestionável. Entretanto, cabe ao governo definir e esclarecer quem são os beneficiários”, explica.
Impasse - Segundo o Presidente da Alcoa, dos 14 pontos apresentados na pautas das reivindicações dos manifestantes, oito já estavam sendo discutidos com a Associação Comunitária de Juruti Velho (Acorjuve) em negociação conduzida pelo Incra de Santarém e Incra Nacional. “As solicitações já estavam sendo negociadas. Tínhamos uma reunião agendada para os dias 8 e 9 de Fevereiro em Santarém, justamente para tratar sobre alguns pontos levantados pelos manifestantes e fomos surpreendidos pelo protesto que causa um grande impasse”, afirma. Sobre os outros seis pontos reivindicados, Franklin acredita que não são de responsabilidades da Alcoa atender, porém afirmou está aberto a negociações. “Assim que o manifesto terminar, a PA for desbloqueada, retomaremos as negociações imediatamente. A Alcoa não negocia sobre coação. Não achamos justo esse tipo de atitude radical. Estamos sempre dispostos a dialogar, mas sem coação”, finaliza.
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