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Lixo hospitalar ameaça a vida dos moradores

Lixo hospitalar ameaça a vida dos moradores

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
13/02/2009 às 11h44 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Lixo hospitalar ameaça a vida dos moradores
Marcos Santos e Bruna Jaqueline

Descaso. Esta é a palavra para definir a cena registrada pela reportagem do Jornal A Cidade na última semana durante uma visita ao bairro do Santo André. Lá, um enorme buraco, que surgiu em 2004 e já deveria ter sido aterrado, continua sendo usado como depósito de lixo. Nos últimos anos, o principal usuário do local foi a Prefeitura de Santarém, que não levou em consideração a saúde dos moradores que residem de forma precária e desigual naquela área. No flagrante feito pelo fotógrafo Carlos Matos é possível ver que o dinheiro público está sendo jogado literalmente no lixo. Medicamentos com prazo de validade vencido e utensílios hospitalares foram despejados na cratera, denunciada por este jornal há quase cinco anos. O lixo hospitalar deixado pelos caminhões da PMS agora é uma ameaça à vida dos moradores do bairro, sobretudo das crianças que brincam inocentemente com seringas descartáveis e luvas cirúrgicas.

Quando a equipe estava no local registrando a cena indigna, um caminhão da Prefeitura carregado de pneus velhos chegava para despejar nova carrada no lixão improvisado. Porém, quando viu a presença do fotógrafo, o motorista deu meia volta e saiu do local tomando rumo incerto.

Há cinco anos, o Jornal A Cidade denunciou a existência de um lixão a céu aberto no bairro de Santo André, na grande área da Nova Republica. Naquela época, a Prefeitura de Santarém já utilizava o enorme buraco como depósito de lixo, despejando ali todo tipo de imundície. Foi a partir da denúncia feita por este semanário que o então prefeito Lira Maia garantiu que a cratera seria aterrada com materiais que não fossem nocivos à vida humana. Contudo, nem o governo anterior e nem o atual foram capazes de aterrar o buraco que continuou sendo usado como aterro sanitário.

Esta semana, a equipe de reportagem do Jornal A Cidade voltou ao local e verificou que a situação está pior que antes. O lixo aumentou ao redor da enorme cra-tera, que serve de deposito de resíduos industriais e domiciliares, além de mato, galhos de árvores e resto de materiais de construção. Caminhões e caçambas da Prefeitura são vistos diariamente depositando lixo no local. Mas caminhões de empresas particulares também utilizam indevidamente aquele espaço como se ali fosse de fato um aterro municipal. Flagrados pela reportagem, alguns motoristas disseram que estão despejando apenas entulhos e terra para aterrar o local, contudo, as imagens feitas pelo repórter-fotográfico Carlos Matos prova o contrário dessa falsa operação. Pneus velhos, garrafas plásticas, restos de materiais de construção e até lixo hospitalar são jogados todos os dias no lixão improvisado.

Moradores que residem às margens do improvisado 'lixão' afirmam que muitas pessoas, principalmente crianças continuam catando restos de alimentos e coletando matérias recicláveis. De acordo com os moradores, o buraco surgiu devido à retirada de aterro do local pela própria Prefeitura. "Naquela época, o ex-prefeito Lira Maia disse que seria construída uma quadra e um barracão comunitário, mas até hoje, nada foi erguido no local, só um monte de entulho", disse um morador.

Além de depósito de lixo, os próprios moradores trabalham no local produzindo carvão e catando material reciclado para vender.

Nivaldo Ferreira dos Santos mora no bairro há mais de 4 anos e diz que a situação dos moradores é deprimente. Segundo ele, quando chove algumas casas alagam e causam sérios transtornos às famílias que residem às margens do buraco. Na manhã da última quinta-feira, estava prevista uma reunião com o pessoal da Prefeitura para tratar da situação das famílias que têm suas residências invadidas pelas águas que transbordam da cratera quando chove. Porém, a reunião foi cancelada, já que o prefeito interino José Maria Tapajós estava em Brasília.

O morador lembrou que as crianças são quem mais sofrem com o lixão, já que muitas delas passam o dia brincando ao redor dos entulhos ou cantando lixo e restos de alimentos. Além disso, depois que foram despejados lixo hospitalar no local, elas passaram a brincar com materiais altamente contagiosos: seringas descartáveis, luvas e preservativos masculinos, além de medicamentos e utensílios cirúrgicos. "Você pode ver elas brincando agora, atirando água umas nas ou-tras com as seringas jogadas pelo pessoal da Prefeitura", disse o morador.

Ele se queixa também de doenças como a dengue e leptospirose, além da Aids. "Estamos correndo sérios riscos e ninguém do governo se preocupa em solucionar este problema social. Pelo contrário, contribuem para que a vida humana fique cada vez mais em risco", finalizou o homem.

A presidente da Associação dos Moradores do Bairro do Santo André é a conselheira tutelar Wanderléia, que segundo alguns moradores, não faz nada e nem se manifesta contra o descaso. Ela também mora próximo ao 'lixão' e sempre ver as crianças brincando, mas não se manifesta sobre o assunto.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Infraestru-tura (Seminf) para que a titular do órgão falasse a respeito do assunto, porém, Alba Valéria indicou o assessor da Seminf, Geovanne Marsala, para dar esclarecimentos em nome da Prefeitura.

Segundo o assessor, o buraco é uma área aberta fiscalizada por dois agentes da Seminf durante o dia. Segundo ele, provavelmente, o lixo hospitalar teria sido despejado por alguma farmácia durante à noite, já que nesse horário não há fiscalização. Essa versão, no entanto, é desmentida pelos moradores que afirmam categoricamente que o produto foi despejado por cami-nhões da Prefeitura.

Questionado sobre os riscos que os moradores correm pela transmissão de doenças devido ao acumulo de lixo no local, o assessor afirma que antes deles irem morar lá, o buraco já existia, logo, eles já tinham conhecimento dos riscos que poderiam correr.

Marsalla disse ainda que a se-minf vai apurar a denúncia feita pelo Jornal A Cidade.
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