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Saúde que vem pelo rio

Saúde que vem pelo rio

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
10/03/2009 às 14h26 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Saúde que vem pelo rio

Barco saúde que atende população pobre da Amazônia vai ser visitado pelo Príncipe de Gales.

Luis Lobo

O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, e sua mulher, Camile Parker Bowles, chegam ao Brasil nesta quarta-feira. Mudanças climáticas, desmatamento da Amazônia, proteção do meio ambiente e sustentabilidade são os temas principais da visita ao país, que vai durar quatro dias. Esses assuntos são de interesse do príncipe desde que era estudante. Recentemente ele criou uma fundação que tem como foco o investimento em questões ligadas a florestas tropicais e meio ambiente.

As cidades escolhidas para a visita são, Brasília, Rio de Janeiro, Manaus e Santarém, no Pará, onde o príncipe vai visitar o Barco Abaré, uma UMS (Unidade Móvel de Saúde) financiada e construída pela Terre des Hommes Holanda (TdH), uma agência de cooperação holandesa, sem fins lucrativos que se dedica a apoiar projetos sociais ao redor do mundo.

O herdeiro do trono britânico vai conhecer o trabalho que é feito no Abaré, que atende cerca de 15 mil pessoas de 73 comunidades dos municípios de Santarém, Aveiro e Belterra, nas duas margens do rio Tapajós, afluente do rio Amazonas.

A embarcação permite o acesso de ribeirinhos a programas de atenção básica, como pré-natal, prevenção de câncer de colo de útero e de mama, planejamento familiar, vacinas, saúde bucal, saúde da criança, exames de rotina, atendimento médico, pequenas cirurgias, entre outros. Não por coincidência, o barco ganhou o nome de Abaré, sugerido pelos próprios ribeirinhos, que em tupi quer dizer o “amigo cuidador”.

As características peculiares da região amazônica, como as longas distâncias, dificuldades de transporte e comunicação geram o grande desafio da inclusão dessas comunidades. “As dificuldades que a região norte apresenta de logística, custo, necessidade de mais pessoal, tempo de deslocamentos... faz com que nosso trabalho não possa ser expandido, pelos limites de orçamento e pessoal. Porém, a necessidade e a enorme exclusão dessas populações de terem acesso a seus direitos básicos, nos leva a empreender esforços, mesmo com nosso pequeno porte, para garantir mínimas condições de luta por esses direitos”, explica a diretora regional da Terre des Hommes para a América do Sul, Márcia Iglesias. “Por isso é importante uma unidade móvel que usa o rio como via para levar os serviços de saúde à população”, completa.

E nem mesmo a seca que afeta o nível do rio, impede o Abaré de navegar pelo Tapajós. O barco tem apenas 80 centímetros de calado, o que permite que a embarcação encoste próximo da margem.

Equipe de Atendimento - O Abaré faz parte de um projeto que desenvolve um trabalho na região Amazônica que já reduziu quase pela metade a mortalidade infantil. Além de médicos e enfermeiros, palhaços, arte-educadores do Projeto Saúde e Alegria (PSA), se juntam à equipe e visitam as comunicados, proporcionando entretenimento e educação. O Abaré chega a atender, por ano, mais de 18 mil casos, entre atendimentos médicos, odontológicos e de enfermagem, prevenindo doenças e salvando vidas.

A parceria entre TdH e PSA tem por volta de 10 anos. Segundo Márcia Iglesias, é muito importante que o objetivo maior do Abaré seja entendido. Que não é apenas prestar serviços básicos de saúde à população ribeirinha, mas experimentar e poder sistematizar um modelo de saúde para essas comunidades. “Existem tantos Brasis dentro de nosso magnífico país e uma imensa parte da população não tem a menor idéia de que realidade estamos falando”.

Uma das maneiras de preservar a floresta amazônica é cuidando dos que nela vivem, e que são essenciais para essa preservação. Por isso o funcionamento do Abaré é importante para fortalecer o trabalho de organização comunitária e educação popular de saúde e assim ³cuidar² dos que cuidam da floresta.

A embarcação é a segunda deste tipo, planejada e financiada pela Terre des Hommes. Um outro barco hospital, o Shapla, foi construído para atender a moradores de ilhas em Bangladesh.
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