Por: Redação / Web Amazônia
18/03/2009 às 15h05 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Desconcertante o amanhecer úmido que insiste;
O sol lá distante teima em esconder-se;
Procuro uma breve fresta com esperança;
Toca-me a face um só instante;
As paredes, o stain, meus companheiros;
Bem sei que já estavam lá antes de mim;
Tormento constante, punição latente, INJUSTIÇAS;
E a maior delas é tão brutal;
Aquela que nega-me o sorriso dos frutos do meu ventre, filhos amados;
Como flechas lançadas em minha direção;
Insípidos alimentos, sorrisos desconfiados,
Olhares atentos, mentiras veladas, promessas quebradas, medo;
A noite cai, e com ela, caio eu;
Prostro-me no meu leito, choro, DESFALEÇO;
Do leste junto com o sol, renasce a esperança;
Teimosa como um estúpido animal, recusa-se a abandonar-me;
Doce como o mel, esperança, amiga fiel, ALEGRO-ME;
Oito passos Norte/ Sul, cinco passos Leste/Oeste;
Centralizada e cercada dos proibidos;
Permitido, paredes sujas, placas obsoletas e tenebrosas;
Avisam-me por entrelinhas: Não volte, não volte!
Misteriosa esperança, que quebra paradigmas e fortalece a alma,
Afasta- me daqui ainda que em pensamentos;
E materializando-se aos dezesseis dias deste mês, finalmente estou de volta ao meu Norte.
Aí vou eu…
(Autora: Michela Lima, empresária, mãe de dois filhos, presa no último dia 11 depois que a Polícia Civil cumprindo mandado de busca e apreensão de documentos apreendeu um revolver calibre 32 em sua residência e a autuou por posse ilegal de arma. Ela permaneceu cinco dias presa na penitenciária agrícola de Cucurunã).
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