Sábado, 07 de Novembro de 2026
27°C 38°C
Santarém, PA
Publicidade
Anúncio

Empresário diz que sofre perseguição de delegado

Empresário diz que sofre perseguição de delegado

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
20/03/2009 às 16h43 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Empresário diz que sofre perseguição de delegado
Cabe à Corregedoria da Polícia Civil apurar as denúncias feitas pelo empresário Washington Canté, alvo de investigação por crime de estelionato, de que houve excessos da polícia durante a ação que culminou na apreensão de documentos à sua residência, no último dia 11, quando o delegado Jamil Farias Casseb cumpriu mandado de busca e apreensão autorizado pela Justiça. Na quarta-feira, Canté prestou depoimento ao delegado-corregedor Edinaldo Silva, oportunidade em que relatou os motivos pelos quais estaria sendo perseguido pelo delegado Jamil. Edinaldo disse que as denúncias estão sendo devidamente apuradas.

Atualizada:
Na manhã da última quinta-feira, o empresário Washington Canté e sua esposa, Michela Lima, reuniram a imprensa para uma coletiva em sua residência. Uma semana depois de ter sido alvo denúncia de crime de estelionato, o casal decidiu abrir as portas de sua casa para mostrar aos jornalistas como ocorreu a ação policial, que cumpria mandado de busca e apreensão de documentos da empresa Garantia Veículos. Ainda se refazendo do constrangimento de ter sido autuada em flagrante por posse ilegal de arma e ter sido encaminhada para o Centro de Recuperação Agrícola "Silvio Hall de Moura", em Cucurunã, onde passou cinco dias presa, a empresária Michela Lima, contou detalhes da operação comandada pelo delegado da Polícia Civil Jamil farias Casseb. Segundo ela, durante o tempo em que permaneceu em sua casa, os policiais reviraram todos os cômodos e a humilharam bastante. "Foi uma tortura psicológica muito grande", contou.

Aos jornalistas, o casal disse que sofre perseguição da polícia há vários meses, mesmo apesar de ter se colocado à disposição do delegado Jamil para esclarecimentos sobre supostos esquemas de fraudes em financiamentos de veículos pela empresa Garantia Veículos. Apesar de ser alvo de investigação policial em cinco inquéritos instaurados pelo próprio delegado, Canté afirma que não praticou nenhum ato ilícito e está à disposição da Justiça para provar que não é nenhum criminoso e nem chefe de quadrilha como sugeriu a polícia.

Bastante emocionado, Washington Canté fez questão de mostrar os locais onde estavam guardados os documentos de clientes de sua empresa. "Depois que decidimos fechar a loja temporariamente para rever a nossa situação financeira, levamos os documentos para minha casa. São fichas cadastrais e dados sigilosos de clientes, além de documentos de veículos. Tudo estava devidamente arquivado em ordem alfabética para que fossem devolvidos às pessoas, mas agora, eu não sei como vou fazer para reaver esses papeis, pois a polícia levou tudo" disse Canté, ressaltando que além dos documentos de clientes, os policiais apreenderam ainda documentos pessoais dele e da esposa, além de computadores e outros objetos.

No dia da operação, Washington e Michela haviam saído de casa por volta das 9 horas. Ele foi resolver alguns problemas particulares e a esposa se dirigiu para a academia. Por volta das 10 horas, a polícia chegou à sua residência com um grande aparato, além de vários homens armados. Um promotor também acompanhava a ação.

Segundo Washington, na casa, apenas a empregada e a filha, uma criança de 2 anos. "Quando eles anunciaram o cumprimento de mandado de busca e apreensão, minha empregada disse que não havia ninguém em casa, mas o delegado Jamil disse que ela deveria ligar para mim para tentar nos localizar. Ela então disse que a Michela estaria na academia. Uma viatura da polícia foi ao local e lá o delegado deu voz de prisão para ela. Quando minha esposa chegou em casa, o circo já estava todo montado. Policiais vasculhando todos os cômodos, revirando gavetas e bagunçando tudo. Eles brincavam até com umas frutas de plásticos que fica na cozinha. Teve um investigador que procurou nas calcinhas da minha esposa por algum material ilícito. Isso foi uma tortura psicoló-gica, além de um grande constran-gimento", contou.

Sobre a arma apreendida no interior de sua residência, o empresário afirmou que somente o exame irá dizer de quem são as digitais encontradas no revolver e, obviamente, seu proprietário será revelado. "Não tenho arma em casa, nem eu e nem minha esposa", afirmou.

Sobre as supostas fraudes em financiamentos de veículos, o empresário disse que todo procedimento para venda de carros é ri-goroso e as financeiras controlam tudo e que são elas quem fazem a aprovação e liberação do financiamento. "Não tem como fraudar. O processo é rigoroso", garante.

"Durante o tempo em que permaneceu em atividade, a Garantia Veículos vendeu mais de 2 mil carros em Santarém. A empresa era responsável também pela geração de 16 empregos diretos. O custo mensal para manter a loja funcionando era de R$ 60 mil aproximadamente. Quando a crise chegou, fomos afetados e para não prejudicar nossos funcionários, decidimos negociar com cada um, fizemos um acordo trabalhista e pagamos todos. Abriríamos outra loja, menor, mas as coisas estavam difíceis. Temos para receber mais de R$ 500 mil na praça, mas agora, com essa situação, não sabemos como vamos fazer para voltar à nossa atividade", disse.

Washington Canté afirmou ainda que a perseguição policial partiu exclusivamente do delegado Jamil que, segundo ele, teria montado todos os inquéritos apenas com o intuito de prejudica-lo. "Não sei porque ele faz isso. Tinha até respeito pelo Jamil. Jogávamos bola juntos no Iate, ele era goleiro, uma pessoa boa. Mas depois se virou contra mim, aparecia na frente da minha casa com a sirene da viatura ligada para me entregar intimação. Disse que eu estava me preparando para fugir de Santarém só pelo fato de não ter nascido aqui. Eu moro aqui desde os primeiros meses de vida. Apenas não nasci aqui. Minha esposa também mora há bastante tempo. Problemas todo mundo tem e eu nunca fugi das minhas respon-sabilidades. Vou honrar todos os meus compromissos e buscar uma maneira de resolver os problemas que possa ter causado a algumas pessoas. Aproveito a oportunidade para pedir desculpas se causei transtornos ou prejuízos para alguém. Mas me diga, quem nunca errou nesta vida", disse o empresário que irá representar contra o delegado também no Ministério Público Estadual.

Perseguição
- O empresário Washington Canté disse aos jornalistas que irá responder todos os inquéritos instaurados contra ele, porém, desde que não sofra nenhum tipo de perseguição ou tortura psicológica. "Não sou estelionatário e nem chefe de quadrilha!", contou.

"A Garantia Veículos responde a 29 processos na Justiça, mas tem outras financeiras e empresas que atuam no mesmo ramo que têm mais de 300 processos e não são investigadas, por que só comigo a polícia se dedica em averiguar?", questionou.

Canté lembrou que quando começou se espalhar uma onda de boatos sobre fraudes em financiamentos de veículos, procurou o de-legado Carlos Mota e ofereceu uma sala na Garantia Veículos para que ele pudesse acompanhar, durante o tempo que achar necessário, como funciona todo o procedimento de aprovação de cadastro, pagamento, financiamento. "Durante um mês, um escrivão permaneceu no prédio e acompanhou todo o serviço". Nós fomos a única loja a fazer esse tipo de procedimento. Se tivéssemos algum esquema, teríamos nos oferecidos para a polícia?", indagou.
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias