Por: Redação / Web Amazônia
26/08/2009 às 10h09 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Renata Dantas (MRN)
Nesse mês de agosto, a Mineração Rio do Norte (MRN) completa 30 anos de atividades no Oeste do Pará. Maior produtora de bauxita do Brasil – e terceira maior do mundo -, a MRN comemora não apenas os números de sua capacidade produtiva, mas também os resultados de suas iniciativas ambientais que, apenas nos últimos cinco anos, somaram aproximadamente R$ 152 milhões em investimentos.
Provando que respeito começa em casa, o núcleo urbano do distrito de Porto Trombetas, onde a MRN se localiza, é certificado na norma ambiental ISO 14.001 desde 2001, assim como o sistema de Gestão Ambiental da empresa. Trombetas possui coleta seletiva, triagem e compostagem de lixo, além de estações de tratamento d’água e de esgoto sanitário.
Para se manter como um dos poucos núcleos urbanos do mundo certificados ambientalmente, Trombetas conta com a participação ativa dos moradores. Para tanto, a MRN desenvolve anualmente ações de sensibilização e educação ambiental. “Eles contribuem, por exemplo, zelando pela limpeza da vila, cuidando de seus jardins, separando o lixo de forma adequada, encaminhando pilhas e lâmpadas para a reciclagem”, explica o gerente de Administração e Infraestrutura da MRN, Ismar Queiroz.
Em sua operação, através de um programa de reabilitação de áreas lavradas que se aprimora a cada ano, a empresa contabiliza o plantio de quase 8 milhões de árvores nativas da Amazônia em uma área de mais de quatro mil hectares. “Fomos pioneiros no uso de espécies nativas da Amazônia para plantios em grandes escalas. Já testamos mais de 400 espécies e, atualmente, trabalhamos com cerca de 80. Não é à toa que a MRN é referência mundial em reabilitação de áreas lavradas”, enfatiza a gerente de Meio Ambiente da MRN, Milena Moreira.
Outro projeto pioneiro da MRN é o manejo de epífitas - plantas como aráceas, orquídeas e bromélias que vivem acopladas aos troncos de árvores e desempenham um papel fundamental no equilíbrio ambiental da floresta. Desde 2001, essas espécies são resgatadas das áreas onde a vegetação foi suprimida para as atividades de lavra e são introduzidas em áreas que estão sendo reflorestadas. “Viemos aprimorando ao longo dos anos as técnicas de reflorestamento identificando espécies potenciais à recuperação das áreas mineradas. O projeto de manejo de epífitas vem contribuindo com informações para o constante desenvolvimento de novas técnicas”, afirma o engenheiro florestal da MRN, Gentil Sousa.
A iniciativa conta com a experiência de mais de 30 anos do orquidólogo paraense João Batista da Silva, do Museu Paraense Emílio Goeldi. De acordo com o pesquisador, o trabalho desenvolvido pela MRN fornecerá informações valiosas para o futuro dos trabalhos de identificação botânica. “Acompanhando essas plantas nas áreas de reflorestamento, conseguimos ver detalhes de adaptação e desenvolvimento que não seria possível ver em nenhum laboratório. Podemos ver espécies enraizadas às arvores após um mês de fixação, com florescimento em no máximo dois anos, o que levaria cinco anos em laboratório”, ressalta.
O conhecimento gerado a partir do projeto será consolidado num banco de dados. “O mais importante é que essas pesquisas geram um conhecimento que fica à disposição da sociedade, através da publicação de teses, artigos científicos ou até mesmo pelo contato com pesquisadores”, explica Milena Moreira. A exemplo do que acontece no projeto de manejo de epífitas, a MRN disponibiliza para a sociedade todas as novas tecnologias ambientais que são geradas a partir dos programas de monitoramento ambiental desenvolvidos pela empresa nas áreas reflorestadas.
O objetivo dos programas de monitoramento, iniciados em 1995, é avaliar a efetividade do método de reflorestamento. As pesquisas – realizadas por grupos de pesquisadores de diversas instituições de ensino do país, como UFRJ, INPA e UFMG - se concentram na flora e em diversos grupos da fauna amazônica, como aves, répteis, mamíferos, insetos. “Outros empreendimentos, agências governamentais e ONG’s vão poder aplicar a tecnologia desenvolvida pela MRN para recuperação de ambientes alterados por atividades humanas em área amazônica”, explica Gentil.
A expectativa da empresa é conseguir uma similaridade entre a floresta original e a replantada. Para verificar essa similaridade, a MRN deu início a um projeto que visa à construção de um índice de sustentabilidade das áreas reflorestadas. A proposta da empresa é entregar futuramente à sociedade um ecossistema semelhante ao da floresta original, com a presença de espécies típicas da fauna e da flora da região.
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