Sábado, 07 de Novembro de 2026
27°C 38°C
Santarém, PA
Publicidade
Anúncio

Jornal revela esquema de venda de órgãos pela internet

Jornal revela esquema de venda de órgãos pela internet

Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
16/07/2007 às 12h04 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
A matéria assinada pela repórter Elendrea Cavalcante, do jornal Amazonas em Tempo, com circulação em Manaus (AM) ecoa pelos quatro cantos do país. No último domingo, após publicação da reportagem, a repórter recebeu várias ligações de pessoas interessadas em fazer negociação de órgãos humanos. Acompanhe a íntegra da matéria.

Por: Elendrea Cavalcante
Fonte: Jornal Amazonas em Tempo.

Logo que foi publicada matéria do Em Tempo, no último domingo, sobre o comércio de órgãos humanos na internet, a equipe de reportagem começou a receber mensagens que dariam ao tema uma nova matéria. Após publicar um anúncio “de mentira” na internet, com o interesse de adquirir um rim, a reportagem começou a receber as respostas de interessados no trâmite no mesmo domingo.

Entre e-mails e telefonemas trocados durante a semana, está a certeza de que o dinheiro rege grande número de pessoas, fazendo com que elas deixem de lado até mesmo os riscos à saúde em troca de grandes quantias.

Depois de enviar mensagem em um site da rede sobre a necessidade de comprar um rim para tratamento de saúde, a reportagem aguardou contato para destrinchar a matéria. Passada a sexta-feira e o sábado (6 e 7 de julho), nenhum retorno. Os contatos, incrivelmente, chegaram todos juntos no domingo. Sem nenhum constrangimento, as mensagens foram enviadas a um e-mail particular da reportagem. A idéia foi evitar o uso do endereço eletrônico do jornal para não inibir os “vendedores”.

A primeira mensagem veio do remetente [email protected] endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo . Nela, perguntava-se o tipo sanguíneo necessário. A resposta foi dada em seguida pela reportagem: O+, acrescida da urgência do caso. Explicando que o sangue de quem estava do outro lado da rede era A+, o vendedor pediu que a compatibilidade sanguínea fosse verificada para que um outro contato fosse feito. Mais cautela. Depois de a reportagem passar a informação ao vendedor de que não havia compatibilidade sanguínea, assim mesmo ele tentou empurrar seu rim, ressaltando que “para tudo se dava um jeito”.

O segundo remetente foi mais audacioso. Tiago Cardoso, morador de Natal, foi logo dando o telefone de contato e pedindo o número de quem tentava comprar o órgão. Através do (84) 9444-2XXX, o homem passou desde a última quarta a última sexta-feira ligando a cobrar e esperando uma resposta positiva para seu desespero financeiro. Depois de aproximadamente 24 ligações na quarta-feira, resolvi atender, pois já estava no jornal. Minha idéia era atender apenas na redação a fim de que pudesse ter o suporte da diretoria para iniciar a negociação do rim. “Oi, é a dona Elen? Aqui é o Tiago. Fiquei ligando direto e a senhora não atendia”, ele questionou. “Ah, passei todo o dia sem meu telefone. Estava com meu filho para quem preciso conseguir o rim. Aliás, não sei do processo necessário para se fazer isso. Preciso de sua ajuda”, respondi. “Bem, a senhora pode ficar tranqüila que já me informei de tudo. Se a senhora quiser, pode ligar para o Ministério da Saúde, se informando sobre o processo. Mas a senhora não pode falar que vai comprar um rim, se não estraga tudo”, ele disse. “Eu não vou falar nada para ninguém. Só quero resolver isso urgentemente. Preciso saber qual é o seu preço e como podemos fazer”, retruquei. “O meu primo me orientou a pedir 70 mil. Eu acho que é pouco, mas vou cobrar só isso. Acho que a senhora poderia vir pra cá com seu filho. Tenho contatos em uma clínica muito boa daqui”, falou. “Preciso me organizar e ver de onde vou conseguir dinheiro”, afirmei. “OK, não podemos chamar a atenção, hein! Me ligue às 20h, OK?!”, eu disse. “OK!”, finalizou. Após o telefone ter sido desligado, a decisão foi de não retornar a ligação, pois já se sabia que seria um contato de mais definições.
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias