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Redação / Web Amazônia
Por: Redação / Web Amazônia
08/05/2010 às 10h31 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16


O caos está instalado na orla de Santarém. Em toda sua extensão é possível observar inúmeros pontos de irregularidades. Embarcações atracadas em locais impróprios, estabelecimentos comerciais construídos ilegalmente ou com a conivência do Poder Público, barracas de camelôs espalhadas pelo calçadão do cais de arrimo, terminal precário de cargas e passageiros, portos clandestinos, feira de peixe, bares e uma série de outras anormalidades que ofuscam o brilho daquele que um dia foi o principal cartão postal da cidade.

A frente de Santarém, que antes encantava turistas e inspirava poetas, tornou-se hoje uma grande ‘área de livre comércio impróprio’ cujos lotes se dividem de acordo com a classe econômica de seus ‘proprietários’. Lá, a bagunça é generalizada e todos fazem o que bem entendem com o patrimônio público, que foi esquecido e abandonado pelos gestores municipais há mais de três décadas. Devido a negligência do Poder Executivo e a ocupação desordenada, a orla ameaça ruir em vários pontos e nem mesmo as partes já recuperadas estão seguras, pois, por razão da ineficiência dos trabalhos executados à época, toda estrutura ficou seriamente comprometida.

Na década de 80, quando a orla tinha grande atrativo turístico vislumbrava-se que ali poderia ser o principal pólo do turismo santareno, pois a área era favorável e propicia aos investimentos do setor. Contudo, com o passar dos tempos, a orla foi deixada de lado e nenhum projeto de revitalização se concretizou por completo. Alguns trechos que desabaram e foram recuperados pela Prefeitura já estão se deteriorando e também perderam seu atrativo inicial.

O projeto Orla, que daria à cidade um aspecto melhor e certamente atrairia mais turistas, foi esfacelado, servindo apenas de trampolim político pelos governantes que passaram pela Prefeitura desde os anos 90. Por conta disso, o calçadão da orla foi transformado num enorme tabuleiro, usado para todo tipo de comércio. Atualmente, no trecho entre o Mercadão 2000 e a área da Vera Paz, o cais está interditado, por causa das fortes chuvas, o cais de arrimo desmoronou e agora ameaça ruir por completo se não for recuperado urgentemente.


Terminais precários e portos clandestinos proliferam na orla

Um dos principais responsáveis pela desordem instalada na orla de Santarém sem dúvida é ocupação ilegal de estabelecimentos comerciais e os portos precários e clandestinos construídos ao longo de toda extensão do cais de arrimo. Na praça Tiradentes, por exemplo, está concentrado o maior número de irregularidades. Lá, funciona um terminal em condição precária, responsável pela bagunça de todo setor portuário ali existente.

Criado provisoriamente para suprir a carência de um porto de cargas e passageiros, o terminal se enraizou e hoje recebe embarcações que fazem as linhas intermunicipal e interestadual da região. De um lado e outro do terminal, os donos de pequenos barcos também se apossaram da orla para fazer seus pontos de atracação privado e ninguém admite sair dali que não seja para um lugar apropriado e com a mesma ‘logística’ que o atual espaço oferece.

A promessa de construção de um terminal no bairro da Prainha, mais precisamente na Vila Arigó, não agradou as pessoas que trabalham na praça Tiradentes. Elas defendem a permanência do terminal e exigem que seja feita a construção do porto do município lá mesmo.

A ideia também não agradou a prefeita Maria do Carmo, que em sua gestão autorizou a construção do Terminal Fluvial de Santarém na Vila Arigó, com um porto exclusivo para cargas na área da antiga Tecejuta. As obras foram iniciadas pela construtora Melo de Azevedo. Os trabalhos, no entanto, estão suspensos. Segundo os moradores, há vários dias que a empresa retirou os maquinários e seus homens do local. Todo equipamento está recolhido no canteiro da empresa, onde também não existe nenhum responsável para dar informações sobre o andamento da obra.

Na semana passada, a prefeita informou que a construtora Melo de Azevedo conseguiu aprovar o aditamento de mais uma parcela do recurso para a construção do terminal junto à Caixa Econômica Federal e que os serviços seriam retomados. O trabalho, porém, continua parado.

Para Maria do Carmo, a construção do terminal fluvial é certa, tanto que já existe recurso específico para o recapeamento da rua Álvaro Adolfo, do trecho compreendido entre a Curuá-Una e à Feira Agropecuária. É por lá que os veículos terão acesso para descarregar suas mercadorias no futuro porto municipal. Quanto à parte destinada a passageiros, essa deve demorar um pouco mais, já que a vontade da prefeita é inaugurar logo o terminal de cargas para desafogar o porto da praça Tiradentes.

*Marcos Santos
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