O julgamento dos seis dos oito réus acusados da morte de dois detentos, durante rebelião ocorrida na penitenciária de Cucurunã, no dia 17 de julho de 2005, começou a pouco.
Naquela ocasião, foram mortos a estocadas os presos provisórios JOCINEY DA SILVA GONÇALVES e NÉRIS FERNANDES VIEIRA. Inicialmente apenas dois presos assumiram o duplo homicídio, entretanto, após a abertura de inquérito policial e sindicância interna realizada pela Susipe (Superintendência do Sistema Penal), outros nomes foram arrolados no processo.
São acusados do crime os seguintes réus: GEOVAN DE JESUS COUTINHO ("Neguinho"), ALDIR DOS SANTOS SOUSA ("Nego Bob"), JOSÉ RIBAMAR CORREA FARIAS ("Gibi" ou "Gago"), RAIMUNDO ERISSON OLIVEIRA DOS SANTOS ( "Fela"), RAIMUNDO CELINEUDO DE ASSIS SILVA ("Dão"), DAMIÃO ROMANO MENDES ("Damico"), DENIS WELVERTON SILVA SOUSA ("Denis") e ALBERTINO DOS SANTOS MENDES ("Pojó"). os dois último não foram apresentados pela Susipe, estando presos em Belém, devendo ser julgados em outra oportunidade.
O júri é presidido pelo juiz Gérson Marra Gomes, tendo na Acusação os promotores públicos Rodrigo Aquino Silva e Paulo Roberto Monteiro. Na defesa estão o advogado Eduardo Maurício Silva Fonseca (Geovan), e as defensoras públicas Eliana Socorro Santos Vasconcelos (Damião) e Emilgrietty Silva dos Santos (com os demais réus).
Estupro e mortes - Segundo consta nos Autos, o preso Jociney da Silva Gonçalves, que era acusado de estupro, ao chegar ao presídio junto com Néris, foi colocado na ala de réus condenados e acabou sendo vítima de estupro por parte de um dos detentos. Alguns dias após o estupro, ele teria mostrado a disposição de denunciar o que teria acontecido, e acabou sendo morto durante uma rebelião, juntamente com seu colega de cela. O crime ocorreu na ala B do Pavilhão 2, e segundo consta na sindicância da Susipe, após a morte os cadáveres dos dois presos foram levantados como troféus, numa provocação aos presos de outro pavilhão onde já havia ocorrido uma rebelião que vitimou o preso "Bagaço", acusado de estuprar uma mototaxista.
Os réus respondem aos crimes de Homicídio Qualificado (art. 121, § 2º, III, IV e V, do CPB) e Formação de Quadrilha, podendo pegar mais de 30 anos de detenção por cada crime. A previsão, no momento, é que esse júri se estenda até quarta-feira.
(Jota Ninos)