Por: Redação / Web Amazônia
05/07/2010 às 09h18 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
No ano em que completou 18 anos de fundação no município, a Associação dos Deficientes Físicos de Santarém (Adefis) ainda enfrenta dificuldades para vencer o preconceito e as barreiras impostas pela sociedade. A falta de acessibilidade e a escassez nas ofertas de vagas no mercado de trabalho ainda são os principais desafios a serem superados pela entidade. Apesar de todos os problemas enfrentados por estas pessoas no seu dia a dia, elas buscam cada vez mais terem seus direitos respeitados. E estão conseguindo. Pelo menos é o que garante a presidente da entidade, Ládia Rufino, que comemora algumas conquistas importantes ao longo dos últimos anos. Ela destaca a parceria com o Sine e Ministério do Trabalho, que proporcionou emprego para os portadores de deficiência. “Hoje, a situação é outra, mas ainda falta melhorar muito para que tenhamos nossos direitos respeitados”, disse.
De acordo com Ládia, as parcerias firmadas com algumas empresas possibilitaram a inclusão de várias pessoas ao mercado de trabalho. Apesar das ofertas que surgem, ela diz que as vagas ainda são poucas e que as empresas ignoram dar emprego para quem tem algum tipo de deficiência. Ládia reclama da falta de compromisso social de alguns empresários, que não cumprem o limite de cota para portadores de deficiência física como determina o Ministério do Trabalho. (As empresas devem disponibilizar de 2% a 5% das vagas para portadores de necessidades especiais). A presidente da Adefis explica que uma das dificuldades enfrentadas pelo candidato é a falta de qualificação profissional. Por este motivo, as empresas acabam não contratando pessoas com deficiência. Ládia reconhece que este fator ainda faz a diferença na escolha do trabalhador, contudo, diz que a Adefis está buscando qualificar todos os seus associados, oferecendo cursos profissionalizantes para melhor prepará-los ao mercado de trabalho.
Mas, e quando o portador de deficiência física possui qualificação, inclusive nível superior e conhecimento em informática e outras aptidões profissionais, o que dizer da empresa que não aceita pagar o mesmo salário que pagaria para um funcionário sem deficiência? Esse é dos questionamentos feitos constantemente pela Adefis junto às empresas. Ládia diz que o preconceito contra os deficientes ainda é o maior entrave para superar as diferenças.
Lojistas não cumpriram exigência do MPE
Há vários anos que a Associação dos Deficientes Físicos de Santarém luta para assegurar o direito de ir e vir das pessoas portadoras de deficiência. A Adefis já perdeu a conta do número de vezes que tentou sensibilizar a classe empresarial no sentido de conseguir o nivelamento das calçadas das ruas do centro comercial. Quem mais sofre são os cadeirantes, que até evitam sair de casa, pois sabem que vão enfrentar muitos aborrecimentos para tentar se locomover pelas ruas do comércio. Mas não é apenas o desnível das calçadas que incomoda essas pessoas. A quantidade de tralhas colocada na frente das lojas também impede o trânsito dos portadores de deficiência física. Os lojistas simplesmente ignoram o direito de qualquer cidadão e utilizam a frente de seus estabelecimentos como tabuleiro para exposição de seus produtos, impedindo a passagem dos pedestres.
Ládia Rufino conta que a Adefis foi ao Ministério Público Estadual (MPE) pedir que o órgão intercedesse junto aos empresários para que eles procedessem com o reparo das calçadas, contudo, nenhuma providência foi tomada pela classe empresarial, que alega que teria prejuízo na realização desse trabalho. Ládia informou que a Prefeitura fez o nivelamento de algumas ruas, mas a maioria ainda está desconforme com o que pretende a entidade.
A presidente da Adefis também informa que alguns órgãos públicos se adequaram à lei da acessibilidade e colocaram rampa de acesso para cadeirantes. “Foi uma conquista para todos nós, mas a nossa reivindicação maior é pelo nivelamento das calçadas de todo o centro comercial”, diz.
Sobre o transporte público, Ládia explica que em Santarém apenas dois ônibus são dotados do mecanismo para transportar cadeirantes, contudo, segundo ela, os veículos passam a maior parte do tempo parados ou servindo outras linhas, onde não há passageiros com deficiência. “A Viação Borges é a única empresa no município que possui ônibus com elevador, mas os veículos ou estão parados ou estão em outras linhas”, completou Ládia Rufino, informando ainda que muitos cadeirantes desconhecem a existência desses veículos e por conta disso, preferem nem sair de casa.
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