A divisão do estado do Pará não irá beneficiar a população que vive nas regiões sul, sudeste ou oeste do estado. Não é dividindo um estado que se desenvolve uma região. Do contrário bastaria dividir o estado do Amazonas, do Maranhão ou qualquer outro estado em que haja necessidade de melhores condições de vida para a população. A única forma de desenvolver um estado é implementando políticas públicas. Políticas verdadeiramente voltadas para a realidade local de cada região do estado do Pará.
Outro ponto que eu saliento, concernente a divisão do estado do Pará, é a manipulação das idéias por parte dos laivos detentores de cargos públicos. É muito fácil manipular as idéias a favor da divisão do Pará nas regiões sudeste e sul do estado. Haja vista que a maioria da população nessas regiões não se considera paraense; mesmo aqueles que nascem no sul e sudeste do estado.
Seria hipocrisia de minha parte se eu não dissesse que esse sentimento antiparaense é, sem sombra de dúvida, um etnocentrismo descabido. Os paraenses, de modo geral, são as pessoas mais hospitaleiras que eu já vi no Brasil. São pessoas que respeitam as diferenças culturais de cada brasileiro, seja ele do Nordeste, do Sul, do Sudeste ou Centro-Oeste do país. Creio que está na hora de exterminar inexoravelmente com esse etnocentrismo.
Eu, como um bom conhecedor da história do Pará, sei que uma das maneiras de viabilizarmos a realização de políticas públicas (que favoreça a melhoria de condições de vida da população sul e sudeste do Pará) é cobrarmos cada vez mais de nossos políticos (os verdadeiros detentores de cargos públicos).
*Antônio Torres - Professor e Historiador de História Social da Amazônia.