Por: Redação / Web Amazônia
28/08/2007 às 17h50 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Investimentos em tecnologia de última geração, equipamentos e capacitação de recursos humanos. Estes são alguns dos fatores que fazem do setor florestal o mais importante da economia regional no oeste do Pará. Graças a estes investimentos, a produção de madeira é responsável pelo excelente desempenho na balança comercial santarena.
Só este ano já foram exportados através do porto de Santarém 46,8 milhões de dólares em madeira, quase o dobro do mesmo período do ano passado. O saldo da balança comercial de Santarém de janeiro a julho, descontando as importações, foi de 46,1 milhões de dólares.
O levantamento dos números do setor florestal da região foi feito pela Associação das Indústrias Madeireiras de Santarém e região Oeste do Pará (Asimas), com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Na avaliação da entidade, mesmo em crise, o setor ainda respondeu por praticamente 100% das exportações santarenas nos sete primeiros meses deste ano, confirmando mais uma vez a importância da indústria madeireira para a economia regional e colocando o município de Santarém em nono lugar na lista dos maiores exportadores do Pará.
Entre os principais produtos madeireiros exportados estão madeiras perfiladas, cortadas em folhas, obras de marcenaria ou carpintaria para construções, painéis montados para soalhos, painéis para soalhos de camadas múltiplas, construções pré-fabricadas e fasquias para telhados. “O setor tem investido muito na verticalização da produção, o que justifica essa diversidade de produtos exportados e o aumento dos valores”, explica Clébio Guedes, presidente da Asimas.
Os investimentos na agregação de valor também ficam claros nos números levantados pela Asimas. Enquanto de janeiro a julho do ano passado foram exportadas 53,2 mil toneladas de produtos de madeira, gerando recursos na ordem de R$ 29,7 milhões de dólares, este ano foram exportadas 67,1 mil toneladas, gerando 46,8 milhões de dólares no mesmo período. A média do ano passado é de 558,4 dólares por cada tonelada de madeira exportada, enquanto este ano a média vem sendo de 697,5 dólares por tonelada. Um ganho de 139,1 dólares por cada tonelada. “Este ganho aconteceu graças à agregação de valor à madeira”, garante Clébio.
Nas indústrias, a ordem é aproveitar o máximo possível das toras extraídas da floresta através de manejo florestal sustentável, prática que permite a exploração de matéria-prima para a atividade sem agredir o meio ambiente. Até mesmo pequenos pedaços de madeira que sobrem do processo de serragem principal são transformados em pisos ou em produtos como cabos de facas e facões, que abastecem também o mercado interno, mas principalmente direcionados à exportação.
Os bons resultados obtidos pelo setor fizeram com que o comércio exterior santareno tivesse um incremento de 57,5% de janeiro a julho deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado. Só no mês de julho, houve um incremento de 73,5% nas exportações do município. Segundo Clébio, os números indicam um bom desempenho do setor em todo o oeste paraense, já que boa parte da produção dos vários municípios da região é escoada pelo porto de Santarém.
A indústria madeireira regional exporta para cerca de 30 países diferentes de cinco grandes blocos econômicos. O país que mais compra produtos madeireiros da região é a Holanda (Países Baixos), que só este ano já comprou 19,8 milhões de dólares. Além da Holanda, destacam-se como grandes compradores França, Espanha, Portugal, China e Estados Unidos. “Estes compradores são extremamente exigentes, principalmente quanto à questão ambiental. Esta madeira exportada tem que ter 100% de origem legal”, explica Clébio Guedes, destacando a preocupação ambiental do setor. “Por isso defendemos tanto os planos de manejos florestais sustentáveis”, destaca.
Estes números se traduzem em mais empregos gerados, mais renda para os trabalhadores do setor e mais dinheiro injetado diretamente na economia regional. “O setor florestal gera toda uma cadeia produtiva”, explica Clébio Guedes, acrescentando que outra vantagem do setor florestal é a totalidade deste dinheiro gerado com as exportações fica no município mesmo, se traduzindo em novos investimentos e geração de emprego e renda. O resultado é um aquecimento de toda a economia.
Mas Clébio alerta que apesar dos bons números obtidos até o mês de julho, a tendência é de queda nos próximos meses justamente pela falta de liberação de planos de manejo para a região. Este ano foram liberados poucos projetos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e os estoques remanescentes da safra passada estão acabando, gerando conseqüente redução na produção das indústrias da região. “Muitas empresas estão no limite de seus estoques e se não forem liberados novos planos podem parar em plena safra”, alerta.
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