Por: Redação / Web Amazônia
31/10/2010 às 09h37 Atualizada em 08/05/2011 às 22h16
Marcos Santos
Diariamente a Capitania dos Portos de Santarém faz o trabalho de medição do nível do rio Tapajós, através da régua da Agência Nacional das Águas (ANA) para acompanhar a descida do rio. As previsões não são nada boas para os próximos dias. O Tapajós está com tendência de baixa e, segundo informações fornecidas pelo capitão Paulo Antonio Carlos, da delegacia fluvial, deve secar ainda mais, uma vez que o período de vazante continua. A região Amazônica sofre a pior seca dos últimos anos, conforme alertou a ANA. O fenômeno tem influenciado diretamente no volume de água dos rios de toda a região. Na última medição feita na terça-feira (26), a régua marcava 0,50 cm. Três dias antes, o nível do rio estava 0,60 cm acima. “Trata-se de um fenômeno natural e comum na região. Temos que esperar o inverno para que os rios voltem a ter seu volume normal de águas”, disse o delegado fluvial.
Segundo o capitão Paulo, em comparação ao ano passado, neste mesmo período, percebe-se que o nível do rio Tapajós está abaixo da média verificada em 2009, evidenciando, portanto, que a seca deste ano será ainda maior. As médias de baixas do rio são constadas nos meses de outubro e novembro, segundo dados da Agência Nacional das Águas, disponíveis para consulta na internet. O monitoramento hidrológico é feito desde 1930.
O cotidiano dos moradores da região é seriamente afetado pela estiagem nesta época do ano, principalmente para quem utiliza as embarcações para se locomover ou transportar alimentos, mantimentos, medicamentos e combustíveis. As pessoas para conseguirem água potável precisam percorrer enormes distâncias. Em algumas localidades, com a estiagem, a água é imprópria para o consumo humano.
A Agência Nacional de Águas opera uma rede de estações em todo o Brasil, nas quais são medidos: níveis dos rios, chuvas, qualidade da água e sedimentos transportados, dentre outras grandezas. Parte desta rede é constituída por estações convencionais, em que a leitura é feita por um observador, e parte, por estações telemétricas cuja transmissão de dados se dá via satélite e celular. “A rede de monitoramento permite o acompanhamento da evolução dos níveis dos principais rios da Amazônia e outras regiões do País”, destaca o superintendente de Gestão da Rede Hidrometeorológica da ANA, Valdemar Guimarães.
Delegacia Fluvial orienta donos de embarcações
A estiagem, além dos prejuízos que causam às comunidades ribeirinhas, afeta diretamente a navegação marítima na Amazônia, sendo necessária muita atenção neste período. Segundo capitão Paulo Antonio Carlos, os donos e comandantes de embarcações precisam redobrar a atenção, principalmente durante as viagens noturnas. Por causa da vazante dos rios, o surgimento de bancos de areia é muito comum, oferecendo insegurança à navegação. Apesar de a seca castigar os rios da região e prejudicar o tráfego aquaviário, capitão Paulo lembrou que nenhum incidente foi registrado pela Capitania dos Portos. “Não é uma situação aconselhável para a navegação, mas como esse é um meio de transporte vital para muita gente, a melhor maneira de se evitar acidentes é ter cuidado, muito cuidado. Felizmente, nossos comandantes estão seguindo nossas orientações e nenhum acidente ocorreu nos nossos rios”, disse o capitão.
A Marinha faz o trabalho de conscientização dos donos de barcos permanentemente, observando este período que oferece perigo à navegação. Segundo o delegado fluvial, apesar de não ser obrigatório, ele orienta aos proprietários e comandantes de embarcações que utilizem, se possível, o Ecobatimetro, equipamento que detecta a presença de bancos de areia. “O uso do equipamento não é obrigatório, mas quem faz viagens rotineiras pela região deveria ter um, pois ele é de alta precisão e ajuda na navegação, principalmente à noite”, observou capitão Paulo.
Para os comunitários, o dia a dia está cada vez mais longo e cansativo, já que para chegar às embarcações, eles precisam andar vários quilômetros. “Ficou tudo mais longe”, resume Mário Picanço, morador da região do rio Arapixuna. Segundo ele, pelo que se percebe diariamente, a vazante deste ano deve ser superior a do ano passado. Várias comunidades do interior do município foram afetadas pela seca. A principal queixa dos moradores é com relação à falta de transporte. Em algumas localidades, os barcos ficam ancorados a quase mil metros da beira do rio.
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